Gaetani: Cemig tem competência e infraestrutura para se adaptar a todas as mudanças - Alisson J. Silva

Que é preciso inovar não há mais dúvida, mas como fazer isso em um ambiente cheio de regulação como o setor energético? E como vencer as burocracias naturais da gestão pública? O dilema foi abordado pelo doutor em Administração Pública e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Francisco Gaetani, durante a 8ª edição do Cemig Tech.

Ele comentou a complexidade do arranjo institucional no qual a Cemig opera: está ligada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a muitas outras instituições. Por outro lado, lembrou que a empresa tem o desafio de digitalizar seus processos e pensar em uma reestruturação produtiva rumo a uma economia de baixo carbono. “A empresa precisa pensar, por exemplo, em uma coprodução de energia. Isso porque com a geração distribuída os clientes da Cemig podem virar seus parceiros”, completou.

Para o professor, apesar de ser uma tarefa árdua, a Cemig tem toda a competência e infraestrutura para se adaptar a todas essas mudanças que a Indústria 4.0 propõe. Ele destaca, entretanto, que é preciso um esforço conjunto da sociedade para o enfrentamento da burocracia, que hoje ainda é um dos principais entraves da inovação no Brasil. 

“A burocracia tem dificuldade de andar com a experimentação e a inovação. Eu costumo brincar que a inovação é quase que ilegal no Brasil porque ela não é prevista em lei, e se você não tem conforto jurídico você não inova. Como gerar inovação e apetite ao risco com essa mentalidade?”, questionou. (TB)