Crédito: Ricardo Moraes/Reuters

São Paulo – A mineradora Vale terá que apresentar mais informações sobre sua aquisição da Ferrous Resources Limited ao órgão brasileiro de defesa da concorrência, que ao analisar a transação declarou o negócio como “complexo” e determinou a realização de diligência.

Segundo despacho do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Diário Oficial da União na sexta-feira, foi solicitada às partes a apresentação das eficiências econômicas esperadas com a operação e informações adicionais para análise.

A aquisição da Ferrous Resources pela Vale foi anunciada no início de dezembro passado pelo grupo norte-americano Icahn Enterprises, que negociou sua fatia de 77% na empresa com operações de minério de ferro em Minas Gerais e Bahia por US$ 550 milhões, incluindo dívidas.

Na época, a empresa afirmou que esperava ver a transação concluída em 2019, o que estava sujeito à aprovação pelo Cade.

Em meio à análise da operação, a Vale afirmou ao Cade que via a aquisição como uma “boa oportunidade” para “ampliar sua capacidade de produção, processamento e exportação de pellet feed, insumo para suas atividades de pelotização e de exportação.”

O órgão de defesa da concorrência, no entanto, avaliou que a operação pode ter impactos sobre mercados de minério de ferro e minério de ferro pelotizado, além do mercado de minério de ferro “sinter feed” e “pellet feed”.

O negócio também tem interação com o mercado de serviços ferroviários para minério de ferro da malha MRS e o mercado de serviços portuários para minério de ferro.

“Tendo em vista a alta complexidade técnica inerente aos mercados afetados pela presente operação, tem sido necessária uma constante interação com a Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para melhor compreensão e análise”, afirmou o Cade.

O processo sobre a análise da operação tem como “terceiro interessado” o Porto Sudeste do Brasil, porto privado na Ilha da Madeira, em Itaguaí (RJ), próximo de produtores de minério de ferro de Minas Gerais e seus clientes, segundo o site da empresa, controlada pelo grupo Trafigura e pelo fundo de investimento Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. (Reuters)