A Eureka, localizada na Barroca, trabalha em cima do conceito de que a criança aprende por meio da brincadeira e de forma livre, afirma Michele Cantini - Foto: Divulgação

Nem escola, nem colônia de férias. No mercado de educação infantil as “casas de brincar” surgem como uma alternativa de espaço para o desenvolvimento da criança e ganham relevância entre as famílias preocupadas com o resgate de uma infância à moda antiga. Em Belo Horizonte, diversas empresas oferecem a proposta, que inclui brincadeiras ao ar livre, oficinas criativas e espaços de interação com a natureza para crianças de 0 a 10 anos. Nas férias, a demanda chega a dobrar e o período ainda funciona como uma oportunidade para atrair clientes para o resto do ano.

Com sede no bairro Barroca, na região Oeste da Capital, a Eureka está prestes a completar um ano de operação. Por lá, o período de férias é visto com muito bons olhos pela idealizadora da casa, Michele Vieira Cantini.

“Nas férias, o número de crianças dobra, além de ser um ótimo momento para atrair novos clientes. Algumas pessoas nos procuram como colônia de férias nessa época e nós temos a oportunidade de explicar que a casa não é um buffet infantil de brincadeiras, mas um espaço para a criança aprender de forma orgânica por meio da brincadeira”, afirma.

A Eureka funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h30 e é focada em crianças de 4 meses a 8 anos. A proprietária explica que idealizou a casa a partir de sua própria experiência de maternidade. “Quando tive minha filha sentia necessidade de um espaço para deixá-la em dias em que as escolas não funcionam ou em momentos de imprevistos, como a ausência da babá. Muitas escolas oferecem o período integral, mas não me agradava a ideia de ela ficar o tempo todo no ambiente escolar e inserida em uma proposta que não respeita a infância”, afirma.

Segundo ela, a Eureka trabalha em cima do conceito de que a criança aprende por meio da brincadeira e de forma livre. “Ao manusear objetos e brincar ela aprende a fazer contas, a negociar com o outro e até ter autonomia. Já tive crianças aqui que não sabiam brincar por conta própria porque aprenderam a seguir uma agenda”, afirma. A Eureka trabalha com brincadeiras antigas, oficinas de arte com material reciclado, musicalização, culinária, além de ser credenciada pela Lego Education, que é uma metodologia da Lego voltada para o brincar e o aprender.

A casa recebe crianças para passar apenas um turno (a partir de 4 horas), o que custa R$ 60, até mensalistas, que vão ao espaço todos os dias. O custo para um mensalista de meio turno é R$ 650. Para 2019, a meta da proprietária é trabalhar com a capacidade máxima de crianças, que é de 60 por dia, e dobrar o faturamento.

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Diversificação de receita – O período de férias também é um momento interessante para a diversificação de receita nas casas de brincar. Isso porque elas recebem mais demandas para trabalhos externos como oficinas em shoppings e colônias de férias de condomínios e empresas. Localizada no bairro São Bento, na região Centro-Sul da Capital, a Play Centro de Desenvolvimento Infantil é um exemplo de casa de brincar que levou seu conceito para além de suas paredes.

A proprietária, Luciana Salles de Magalhães Pinto, está apostando em um novo serviço a partir deste ano: as colônias de férias em condomínios. Segundo ela, a proposta atende a demanda dos pais que são atendidos como “delivery”. “Eles não precisam se deslocar na cidade para deixar os filhos e ainda têm a comodidade de deixá-los em um ambiente conhecido”, afirma.

Janeiro também é o melhor mês para o atendimento da casa, que recebe o dobro de crianças nesse mês. A Play atende crianças de 0 a 5 anos e tem capacidade para receber até 40 alunos por dia. O preço depende da quantidade de horas: vai de R$ 60 meio turno até R$ 1.400 o período integral, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.