A experiência da cidade histórica mexicana de Tequila na busca por se tornar um destino inteligente foi contada em Belo Horizonte, na última semana, pelo diretor de Planejamento do Grupo Jose Cuervo, Tequila/México, Federico de Arteaga Vidiella, durante a palestra “Certificação de Destinos Turísticos Inteligentes”, Seminário Cidades e Destinos Turísticos Inteligentes, realizado pela Belotur.

A cidade, que fica no estado de Jalisco, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural da Humanidade em 2006. Mas já em 2003 deu início ao planejamento para se tornar uma “Cidade Inteligente”.

Ali começava a sensibilização da sociedade e a construção do conceito que daria norte ao planejamento. Foi assim que surgiu a marca “Tequila: Pueblo Magico”. “Existe um plano geral que mantém as diretrizes ainda que o governo mude. Ali temos as etapas até 2040, quando pretendemos ter a cidade toda conectada. O importante é que esse plano vai sendo ajustado na medida que as condições vão mudando e as coisas vão acontecendo, sem perder a essência e os objetivos”, afirma Vidiella.

Para ser inteligente o destino precisa apresentar governança, inovação, acessibilidade, sustentabilidade e tecnologia. Segundo o especialista, nem mesmo o melhor dos planejamentos é capaz de surtir efeito se a sociedade não estiver convencida da ideia.

Conquistar o aval do poder público, a confiança e os investimentos dos empresários e, especialmente, convencer a população é fundamental. Só assim é possível dar sustentação ao projeto, tornando a ideia perene. As demandas devem ser antecipadas levando-se em conta o que pode ser resolvido em curto, médio ou longo prazo.

A integração é determinante, inclusive, para as obras de infraestrutura. Uma rodovia, por exemplo, não pode ser feita pelo município. O financiamento é um dos pontos críticos. No caso de Tequila 80% do projeto é feito com recursos particulares. Apenas 8% vem da municipalidade.

“O projeto de uma cidade inteligente não tem fim. Temos metas de conquistas, mas a inovação é um processo contínuo. Para isso as políticas têm que ser de estado, não podem estar sujeitas às trocas de governo. Se as pessoas não comprarem essa ideia, é praticamente impossível cumprir o planejado”, pontua o diretor de Planejamento do Grupo José Cuervo.