São Paulo – O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, confirmou na sexta-feira que recebeu uma ligação do presidente Jair Bolsonaro na noite da quinta-feira a respeito do aumento do preço do diesel anunciado mais cedo naquele dia pela empresa, de acordo com comunicado.

Castello Branco disse em nota que considerou “legítima” a preocupação do presidente antes de decidir suspender o reajuste de 5,7% no valor do combustível nas refinarias, o que gerou reação negativa no mercado, mas defendeu que não houve interferência do Executivo na ação.

“Reitero que a Petrobras é uma empresa completamente autônoma para a tomada de decisões, coerente com seus fins institucionais e que sempre buscará a defesa do interesse dos seus acionistas e do Brasil”, afirmou ele.

O CEO acrescentou que suspendeu o reajuste “com base em cálculos técnicos e na posição de instrumentos de hedge para sua proteção contra prejuízos”.

Antes, o Ministério de Minas e Energia afirmou em nota que a diretoria executiva da Petrobras “possui autonomia”, reafirmando “seu compromisso de não intervenção no mercado”. A pasta disse ainda que seguirá “em diálogo com os envolvidos na busca pelas soluções mais adequadas”.

O representante de minoritários no Conselho de Administração da Petrobras Marcelo Mesquita afirmou à Reuters acreditar que o governo passa por um processo de aprendizado sobre a política de preços da estatal, após a companhia recuar na véspera de um reajuste no diesel.

“Minha visão otimista é de que isso seja uma gota de sangue no oceano, não é um evento recorrente, isso é um aprendizado do governo atual, do presidente (Jair Bolsonaro), que está ganhando experiência”, afirmou Mesquita, em uma conversa por telefone. (Reuters)