Tamanho é o potencial da geração distribuída no Estado que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) criou uma subsidiária somente para tratar dos negócios do segmento de baixa tensão. Desde julho, a Cemig Geração Distribuída S/A (Cemig GD) atende às demandas da área, visando fortalecer a atuação da estatal mineira em todo o País. A expectativa é que nos próximos dois anos sejam atraídos entre R$ 600 milhões e R$ 750 milhões em projetos da chamada GD.

A informação é do diretor-presidente da subsidiária, Tarcísio Andrade Neves. Segundo ele, a empresa contará com parcerias com a iniciativa privada de maneira a estruturar sua atuação. A meta é implantar, nos próximos dois anos, 250.000 kW em geração distribuída, assumindo uma posição relevante no novo negócio. Para isso, cerca de 30 projetos deverão ser implementados no Estado neste período.

“Já realizamos uma primeira chamada pública e temos cerca de 20 projetos em análise, alguns já com as tomadas de decisões de investimento. O primeiro deles entrará em operação em fevereiro do ano que vem. Trata-se de uma planta solar de 5 MW em Janaúba (Norte de Minas). Além disso, teremos uma segunda chamada ainda neste mês e a expectativa é atingirmos 30 projetos em até dois anos” explicou Neves.

A média de investimento em cada planta solar, conforme o diretor-presidente da Cemig GD, varia de projeto para projeto. O valor dos aportes depende de características dos equipamentos, como placas estáticas ou móveis, condições locais de implantação e até mesmo da cotação do dólar. Mas, num primeiro momento, conforme ele, estima-se um investimento médio de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões por planta de 5 MW de potência.

E, antes mesmo destes investimentos acontecerem, Minas Gerais já lidera o mercado de geração distribuída, com 7.100 instalações e uma potência de 112.175 kW. Isso representa 20% das instalações e 26% da potência total do Brasil. Quando considerado todo território nacional, os números chegam a 41.217 e 510 MW, respectivamente.

De acordo com Neves, a geração distribuída é o braço do setor elétrico que mais cresce em todo o mundo, desde 2010. E, mesmo sendo mais recente no País, a atividade também já vem registrando desempenhos acima da média das demais. O que deverá continuar acontecendo também nos próximos anos.

“No mundo, a geração distribuída cresce, em média, 12% ao ano, enquanto a geração como um todo, cresce 3%. Na Cemig, as taxas hoje giram em torno de 80%, em virtude da base ser praticamente inexistente. A previsão é que o crescimento médio nos próximos anos seja da ordem de 30%, quase três vezes mais do que se observa no mundo todo”, explicou.

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Irradiação solar – Neste sentido, conforme o diretor, vários fatores contam a favor de Minas. A começar pela própria irradiação solar, devido à proximidade com a região Nordeste. Além disso, as áreas de maior irradiação estão justamente na porção mineira com menores custos de implantação (regiões Norte e Nordeste do Estado) e que possuem acesso à rede de distribuição da Cemig.

“Existem também os incentivos a fontes renováveis criados no âmbito estadual, como o decreto que isenta de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS), os projetos de micro e minigeração distribuída solar fotovoltaicas até 5 MW. Não há este incentivo em outros estados brasileiros”, observou.