Maciel: modelos focados em produtos estão sendo substituídos por plataformas de serviços - Foto: Euler Júnior

Estampada na conta de luz dos consumidores, nas usinas ou na sede da empresa, a marca da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) é tradicionalmente associada à geração, transmissão e distribuição de energia. Mas, nos últimos anos, esse modelo tradicional e linear de negócios tem sofrido alterações. Muito mais que gerar energia em uma grande usina e transmiti-la por fios até as casas e comércios, a Cemig constrói caminhos que passam pela lógica do mundo dos três Ds: digitalizado, descentralizado e descarbonizado.

O superintendente de Tecnologia, Inovação e Eficiência Energética da Cemig, Carlos Renato França Maciel, explica que esse desenho de uma Cemig mais inovadora segue a demanda do mercado, que está sendo transformado pela indústria 4.0. “O mundo está vivendo uma onda de softwarização. Os modelos de negócios focados em produtos estão sendo substituídos por plataformas de serviços, como Uber e Airbnb. No setor elétrico esse conceito também se aplica: a transformação digital nos obrigará a sair do modelo tradicional de venda de energia e dará lugar a soluções para geração distribuída, gestão da própria energia, automação da residência, entre outras”, afirma.

Para suportar essas mudanças, a Cemig criou o Plano Estratégico de Inovação de Tecnologia Digital, chamado Cemig 4.0, que vai organizar as estratégias da empresa sob a lógica da Indústria 4.0. De acordo com Maciel, o plano segue o conceito dos três D’s: digitalização, descentralização e descarbonização.

Digitalização – A digitalização tem a ver com as novas tecnologias, que têm mudado a forma como as pessoas se relacionam com as marcas. Essas tecnologias podem ser usadas para melhorar a experiência do consumidor, mas também para trazer mais eficiência aos processos. “Um dos ganhos da indústria 4.0 é o encurtamento do tempo entre a identificação de problemas ou oportunidade e a tomada de decisão. Na medida em que aderimos à digitalização conseguimos produzir e tratar dados que nos trarão mais eficiência”, explica.

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Descentralização – Já a descentralização está ligada ao entendimento de que a produção de energia não está mais restrita às grandes usinas. O superintendente lembra que a tendência é que a geração de energia aconteça mais próxima do consumidor. “Isso traz uma economia enorme em função da não necessidade de deslocamentos de grandes blocos de energia através de linha de transmissão e investimento em grandes subestações. Além disso, o barateamento de fontes renováveis de energia permite que os próprios consumidores produzam essa energia”, afirma.

Descarbonização – Por fim, a descarbonização segue a tendência mundial de acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, apostando em energia limpa. Para o gerente de Inovação Tecnológica e Alternativas Energéticas da Cemig, Frederico Ribas, esse é um caminho sem volta, já que o mundo pede por matrizes limpas de energia e a não utilização de combustíveis fósseis é objeto de acordos internacionais. “O modelo linear de geração, transmissão e distribuição de energia é um paradigma a ser quebrado, uma vez que o futuro nos apresenta um cenário em que a geração e o consumo da energia podem acontecer em qualquer lugar. Se é assim, então o atendimento a esse consumidor (transmissão e distribuição) também tem que estar em qualquer lugar”, afirma.

O gerente também destaca que é impossível falar de um desses “Ds” sem falar do outro e, por isso, a Cemig está se pautando nos três conceitos. “A digitalização é necessária para suportar e permitir um movimento de descentralização da produção de energia que, por sua vez, tem ocorrido por causa da descarbonização”, comenta. Os três Ds ainda se desdobram em nove macroações, que englobam: mobilidade elétrica; energias renováveis; experiência do usuário; inteligência de dados; geração distribuída; armazenamento de energia e ações estratégicas – como estratégia de cibersegurança; novos modelos de negócio e gestão de talentos para a era digital.