De acordo com o presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, a inovação é a chave para o desenvolvimento - Foto: Alisson J. Silva

Os desafios e oportunidades trazidos pela Indústria 4.0 e a participação da gestão pública nos processos de inovação foram os temas discutidos, na última terça-feira, durante a 8ª edição do Cemig Tech, evento promovido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em sua sede, na região Centro-Sul da Capital. Com o tema “Minas 4.0 – Inovação, Gestão Pública e Desenvolvimento”, o evento reuniu representantes do setor energético e da indústria, que discutiram sobre a importância de se vencer a burocracia e criar um ambiente favorável à disrupção e à iniciativa privada.

O presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, abriu o evento falando sobre o desafio do setor energético frente a Indústria 4.0. “A disrupção que a indústria de energia está vivendo é imensa, é algo inédito. Estamos assistindo ao crescimento da geração distribuída, das energias renováveis, o advento do carro elétrico. Precisamos estar próximos de tudo isso e discutir cada uma dessas inovações para garantir nossa longevidade”, disse.

Alvarenga fez questão de ressaltar que a Cemig já está atenta a essas mudanças e, por isso, vem desenvolvendo ações rumo à disrupção. “Hoje, 42% do atendimento ao cliente da Cemig é por meio de plataformas digitais. Além disso, aprovamos um Plano Estratégico de Inovação de Tecnologia Digital (Cemig 4.0), selecionamos sete grandes projetos de PeD com investimento de R$ 40 milhões e, em breve, teremos novos serviços e produtos inovadores. A inovação é a chave para o desenvolvimento”, destacou.

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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, também participou do evento e falou sobre os países que já adotaram o conceito da Indústria 4.0 como o centro da sua estratégia. Segundo ele, a Alemanha está apostando na ideia de compartilhamento de produção. “As indústrias vão compartilhar suas plantas e, assim, eliminar redundâncias e diminuir a ociosidade produtiva. Na prática isso quer dizer que vamos comprar um carro de uma marca, mas outras marcas terão produzido algumas peças dele”, disse.

Roscoe explicou que isso será possível porque o “fator humano” será retirado das negociações, de forma a eliminar a insegurança do compartilhamento de recursos. “Serão os computadores que tomarão as decisões de negócios com base em métricas e não em desejos humanos que estão sempre associados a ganhar vantagem”, destacou. Ele também citou os Estados Unidos como um país muito bem orientado à Indústria 4.0, principalmente no que diz respeito ao modelo avançado de comercialização e comunicação com o cliente.

“E como está o Brasil nesse cenário? Se por um lado temos um grande desafio à frente, por outro, temos uma grande oportunidade”, destacou. Para o presidente da entidade, além da criatividade, que é uma ferramenta valiosa dos brasileiros, os recursos naturais são uma vantagem que coloca o País à frente de outros desenvolvidos. “Energia tem tudo a ver com isso.

Novos modelos de geração surgirão e eu acredito que muitos deles nascerão no Brasil, que tem as condições naturais ideais para a energia renovável”, afirmou. 

Roscoe ainda destacou que nem mesmo o problema de infraestrutura deficitária será um impeditivo para o Brasil se destacar nessa nova revolução. Isso porque a Indústria 4.0 exige um novo tipo de infraestrutura. “Não temos infraestrutura? Tudo bem, boa parte do que existe hoje será mudado, então vamos partir para a próxima onda de infraestrutura”, disse.