Para Camargo, setor está vivendo um processo de mudança na forma de armazenar, produzir, transmitir e vender energia - Divulgação

THAÍNE BELISSA

O ano de 2019 vai começar com o desenvolvimento de novas soluções na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Representantes da concessionária assinaram, ontem, o convênio com os sete projetos selecionados para o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Cemig – Aneel 2018 (Cemig 4.0). Com propostas ligadas à eficiência operacional e atendimento ao cliente, as empresas, universidades e institutos de pesquisa selecionados receberão, ao todo, R$ 40 milhões de investimento, por meio do programa nacional da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


A oficialização do convênio ocorreu durante o evento “Cemig Tech”, realizado no Mercure Belo Horizonte Vila da Serra Hotel, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). De acordo com o diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Cemig, Thiago de Azevedo Camargo, o desenvolvimento dos sete projetos selecionados se inicia em janeiro do ano que vem e a entrega dos resultados acontece em até 24 meses. Entre os selecionados há universidades, centros de pesquisa e empresas de Minas Gerais e de outros estados.


O diretor afirma que a busca por processos inovadores dentro da concessionária é fruto de uma percepção de que o mercado de energia mudou. “O setor elétrico está vivendo um processo de mudança na forma de armazenar, produzir, transmitir e vender energia. Parte disso tem a ver com as novas tecnologias e as empresas que não participarem desse contexto vão ficar para trás e perder clientes”, afirma.


Camargo lembra que, ao contrário do que muita gente pensa, o setor energético não é mais um monopólio. Para ele, não demora o tempo em que os consumidores poderão comprar energia por meio de um aplicativo e escolher as diferentes fontes.


“Até outubro 2017, a Cemig tinha o conceito de que a geração distribuída roubava seu mercado. Mas nós tivemos que mudar esse pensamento para não perder o ‘time’. Hoje não tenho medo de dizer que o nosso objetivo é colocar a inovação do centro da estratégia de futuro da Cemig. Precisamos entender, definitivamente, que o negócio da Cemig não pode ser mais vender energia, mas prestar serviços com soluções cada vez mais inovadoras”, afirmou.

Projetos – Entre os projetos selecionados para o edital está a Plataforma Inteligente Temática Interativa Adaptável. O projeto é coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e desenvolvido em conjunto com a empresa mineira A3 Data Consultoria. De acordo com o COO da empresa, Rodrigo de Oliveira Pereira, o objetivo do projeto é construir uma plataforma digital que auxilie a equipe de gestão da Cemig nas tomadas de decisão.


“Os gestores poderão fazer perguntas a essa plataforma, como: ‘Quantos pontos com falta de energia estão registrados?’ A solução traduz essa pergunta, entende o contexto, busca dados na base da Cemig e devolve com uma resposta em uma velocidade muito mais rápida que a busca de informações no modelo tradicional”, explica.


Outro projeto que começará a ser desenvolvido na Cemig em janeiro é o de “Inteligência Artificial Aplicada ao Relacionamento com Clientes”, por meio da empresa carioca Radix. De acordo com o diretor de Tecnologia, Geraldo Rochocz, a proposta é oferecer à Cemig uma tecnologia de atendimento omnichannel, ou seja, em todos os canais.


“As empresas geralmente têm muitos canais de atendimento, como SAC, e-mail, redes sociais e presencial. O problema é que esses canais normalmente estão desconectados, o que gera uma experiência ruim para o cliente. A ideia do projeto é criar uma plataforma onde todas as comunicações com o cliente serão centralizadas e compartilhadas. Dessa forma, se o cliente entrou em contato por um canal e depois foi para outro, ele terá continuidade nesse atendimento”, explica.