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Com uma dívida líquida de R$ 13,1 bilhões, com prazo médio de vencimento de quatro anos, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai manter a prioridade sobre o plano de desalavancagem adotado desde o início de 2016 também neste exercício.

Além das ações de desinvestimento, pelas quais a estatal abre mão dos empreendimentos que não possui o controle acionário ou que não integrem seu core business, o grupo segue em busca de uma maior eficiência operacional.

Na avaliação do diretor de finanças e relações com investidores da companhia, Maurício Fernandes, ambos os projetos já estão dando resultados.

“A Cemig mostrou, nos últimos anos, que tem uma capacidade de recuperação muito grande. Apresentou em 2016 um prejuízo nos resultados, alcançou lucro líquido de R$ 1,1 bilhão em 2017 e agora R$ 1,7 bilhão em 2018. Números que só foram possíveis a partir do trabalho que vem sendo feito em busca de uma maior eficiência operacional”, afirmou.

Especificamente sobre a dívida, Fernandes ponderou que poderia ter diminuído ainda mais em relação ao ano anterior – no fim de 2017 somava R$ 13,3 bilhões –, não fossem os custos elevados da tarifa.

Para se ter uma ideia, em 2017, a compensação dos valores de compra de energia não considerados no valor médio concedido na tarifa (CVA Energia) somou R$ 730 milhões. No ano seguinte, chegou a R$ 1,1 bilhão.

“Ou seja, poderíamos ter tido uma queda mais acentuada na dívida se esses valores tivessem sido abatidos. Por outro lado, no último ano, tivemos um trabalho mais voltado para o alongamento dos prazos”, explicou.

Assim, conforme o balanço da empresa, o prazo médio do perfil da dívida que chegava a 2,2 anos no fim de 2017 passou para 4,1 anos no término do exercício passado. A maior parte dos R$ 13,1 bilhões tem vencimento previsto para 2024: aproximadamente R$ 6 bilhões. Para este exercício, estão previstos os vencimentos de cerca de R$ 2,1 bilhões. Já o último ano dos vencimentos, 2025, concentra apenas R$ 228 milhões.

Sobre o plano de desinvestimento, o superintendente de relações com investidores, Antônio Carlos Vélez, confirmou que a Cemig prosseguirá com os esforços para se desfazer dos ativos que não integrem sua atividade-fim.

Entre os principais desinvestimentos, o executivo destacou a participação da estatal mineira na Light e a venda de ativos da Cemig Telecom, concluída em agosto do ano passado. Somente esta última gerou R$ 654 milhões de caixa para a empresa, R$ 287 milhões acima do valor estimado.

“Da implementação do programa em 2016 até agora, a Cemig dispôs de R$ 1,4 bilhão em ativos e continuará priorizando estas ações na desalavancagem da empresa também em 2019. Dos ativos disponíveis para venda, há um potencial de R$ 5,8 bilhões”, lembrou.

Balanço – Essas e outras ações de reestruturação do perfil financeiro realizadas ao longo do ano permitiram que a Cemig apurasse lucro líquido de R$ 1,7 bilhão em 2018, valor 65% superior ao registrado no ano anterior. Apenas no quarto trimestre, o resultado líquido positivo foi de R$ 1 bilhão.

Em 2018, a geração de caixa, medida pelo Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida), foi de R$ 3,8 bilhões, 8,3% superior ao valor contabilizado no ano anterior. Já a receita líquida auferida foi de R$ 22,2 bilhões no ano passado, contra R$ 21,7 bilhões em 2017, o que representou aumento de 2,6%.

Além disso, vale destacar que o consumo de energia na área de concessão da Cemig Distribuição aumentou 2,6% no ano passado, passando de 42,8 MWh para 44,5 MWh. Este avanço é resultado da composição do crescimento de consumo no mercado cativo de 2,2% e do crescimento no uso da rede pelos clientes livres de 6,9%. A Cemig Distribuição atingiu ainda 8,4 milhões de clientes faturados em dezembro de 2018, com crescimento de 0,74% na base de clientes em relação a dezembro de 2017