Segundo o coordenador do Departamento de Economia da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida, outro item importante na composição do índice de inflação foi o aumento das passagens de ônibus na cidade, que ficou em 11%, maior percentual entre as capitais. Em 2018 não houve aumento em Belo Horizonte.

Apesar de considerar o comportamento da inflação dentro dos patamares desejados, o economista chama a atenção para aspectos políticos que influenciam o ambiente econômico. Para ele, é possível ter um olhar otimista para o futuro, porém cuidadoso.

“Quando avaliamos toda a estrutura que compõe a cesta de consumo das famílias, analisando o peso dos grupos, entendemos o motivo da alta. Um número importante é o aumento de preços dos alimentos in natura, ou seja, aqueles que são consumidos dentro de casa, que chegou a 7,21%. Também os preços administrados, puxados pelo aumento da tarifa de ônibus, com 1,7%. Apesar do resultado geral, avaliando-se o cenário macro, de forma geral, a inflação vem se comportando de maneira favorável. Ainda está em torno da meta e isso traz um alinhamento de política econômica. É possível traçar uma perspectiva otimista para a inflação e os juros, com a manutenção da taxa Selic em 6,5%.

É preciso, porém, avaliar também o cenário político, que é o que sustenta a confiança dos agentes econômicos. Eles estão ainda em compasso de espera, avaliando o desempenho do governo quanto às prometidas reformas, para tomarem decisões de investimentos. Para o governo é melhor dar uma resposta que não agrade a todos do que não responder a esses agentes. Então, faço uma avaliação positiva para 2019, porém ‹com o pé no freio›”, analisa Almeida.

O professor de economia do Ibmec-BH, Glauber Silveira, mantém o tom, pontuando um janeiro marcado pelo aumento das tarifas dos transportes públicos, as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais com uma média de chuvas abaixo do comum.

De outro lado, chama a atenção para a necessidade de uma ação estratégica do governo frente a possibilidade de paralisação das atividades minerárias em algumas cidades do Estado. O desastre ambiental resultado do rompimento da barragem do Feijão, de propriedade da Vale, em Brumadinho (região Central), deve afetar a Capital de maneira muito própria. A lama de rejeitos alcançou o chamado “cinturão verde”, que produzia boa parte das hortaliças consumidas em Belo Horizonte, o que deve fazer com que os preços nos sacolões e supermercados subam além do projetado anteriormente.

“Vale destacar que apesar da elevação do índice, a inflação ainda está controlada. Temos uma expectativa muito positiva para a economia como um todo. Precisamos estabilizar o cenário político. Empresas e consumidores não sentem confiança diante de um cenário nebuloso. A estabilidade contribuiria, entre outros pontos, para a queda na taxa de juros.

Em Minas Gerais, vamos precisar, ainda mais, de um impulso do governo. Precisamos dinamizar e diversificar a matriz econômica. A crise na mineração pode impactar todo o Estado, com a perda de uma das mais importantes fontes de arrecadação. Então, posso dizer, que tenho um otimismo moderado. Otimismo pela conjuntura, mas moderado pela possível demora do governo federal em responder com as reformas. E cautela também porque temos que conciliar crescimento com preservação ambiental e preocupação com as famílias”, avalia Silveira. (DM)