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AMINTAS VIDAL *

O monovolume é uma espécie ameaçada de extinção, como ocorreu com as peruas, que praticamente foram dizimadas do nosso mercado. Estes exemplares têm muito em comum. As peruas têm a praticidade de carregar objetos altos, como é possível em um hatch, mas também os compridos, pois oferecem porta-malas grandes como os dos sedans.

Já os monovolumes, são mais evoluídos quando o assunto é aproveitamento de espaço, pois possuem todas as vantagens das peruas e a sua arquitetura permite à cabine avançar sobre o cofre do motor, ampliando ainda mais a área destinada às pessoas e bagagens.

Apesar de tantas qualidades, os monovolumes estão perdendo terreno para os SUVs, os atuais carros da moda. Por serem projetos elaborados, eles também são caros e, preço por preço, o consumidor tem optado pelos utilitários esportivos. Dessa forma, os práticos carros de volume único estão cada vez mais raros nas selvas de pedra do nosso País.

Se a escolha do carro fosse uma decisão racional, os monovolumes estariam entre os modelos mais vendidos, pois são menores por fora e mais espaçosos por dentro, mais econômicos (por serem mais leves e aerodinâmicos), mais estáveis (por serem mais baixos) e muito mais versáteis, por normalmente permitirem configurações mais inteligentes dos bancos, quando comparados aos SUVs.

O Chevrolet Spin é um exemplar sobrevivente da espécie. Reestilizado e lançado como modelo 2019, ele passa a oferecer uma opção com 7 lugares na versão Activ, além da LTZ, que já vinha, exclusivamente, com essa configuração.

Outra alteração, muito bem-vinda nessa variante aventureira, foi a retirada do estepe da tampa traseira, pois o mesmo não combina com esse tipo de carroceria. DC Auto recebeu a novidade para avaliação, um Spin Activ 7 na cor amarela.

Essa estranha cor, também confundida com verde, chamou mais atenção que seu novo design externo que é, na verdade, o ponto mais positivo dessa atualização.

Design – O Spin 2019 mudou muito na frente e na traseira. Novo para-choque, grade, capô e faróis deixaram a dianteira mais baixa, agressiva e com a atual identidade visual da marca. Na parte de trás, as lanternas horizontais fizeram toda a diferença, e a nova tampa traseira e o novo para-choque completaram a harmonia do design.

Nas laterais, apenas o recorte nos para-lamas foi alterado para receber o encaixe das novas lanternas e faróis, no mais, tudo igual. Este trabalho é elogiável, pois o carro ficou muito bonito e ainda se livrou do apelido capivara, tamanha a semelhança da sua antiga dianteira com o simpático roedor.

Interior – Por dentro, as mudanças foram pontuais, mas todo o conjunto ficou com uma aparência mais sofisticada. O painel foi redesenhado em parte e apliques cromados e peças em black piano substituíram os detalhes que imitavam alumínio.

O quadro de instrumentos passou a ter velocímetro analógico. Ele era digital, o que ocorre, ainda, com Onix, Prisma e Cobalt. A central de multimídia MyLink foi atualizada e os botões físicos ampliados e deslocados para a direita, ainda ao alcance do motorista, porém mais fáceis de serem operados pelo passageiro dianteiro.

Todas as peças internas são feitas em plástico duro e apenas uma parte das portas é revestida em tecido acolchoado. Mas a variedade de texturas e cores, a qualidade das mesmas e seus encaixes garantem um bom acabamento ao interior.

Essa versão traz nos bancos um revestimento em cinza, misto de tecido e material que imita couro, tudo costurado com linha amarela do mesmo tom da carroceria, assim como o fio usado nos logotipos “Active” bordados nos encostos dos bancos dianteiros.

Bancos traseiros – A segunda fileira de bancos é bipartida na proporção 2/1 e corre sobre trilhos, possibilitando criar mais espaço para os passageiros da terceira fileira. Solução inteligente pois, normalmente, os motoristas mais baixos posicionam seu banco mais para frente, podendo parte da segunda fileira acompanhá-lo, o que cria mais espaço na terceira.

Já o acesso a essa última fileira é limitado, e mesmo sendo possível bascular toda a parte menor da fileira intermediária, entrar atrás não é fácil. Dificuldade inerente a todos os modelos que oferecem esse espaço extra.

Uma vez alojadas no fundão, somente crianças e pessoas baixas ficam confortáveis, as médias e altas sentirão o aperto. Possibilidades de rebatimentos dos bancos criam diversas configurações para transporte de cargas, virtude dos monovolumes.

Com sete ocupantes, esse espaço é de apenas 162 litros, subindo para 553 sem ninguém na terceira fileira e o banco rebatido. Dependendo da posição dos assentos do meio, a capacidade de carga pode chegar aos 756 litros.

Itens de série – Essa cor metálica, chamada pela montadora de Amarelo Stone, não é cobrada à parte, e a Spin Activ 7 avaliada está com preço sugerido, no site da GM, de R$ 85,79 mil.

A versão, que não tem opcionais, conta com estes principais itens de série: airbag duplo, ABS com sistema de distribuição de frenagem, ar-condicionado, direção elétrica progressiva, alarme antifurto, alerta de pressão dos pneus, regulagem de altura dos faróis, faróis de neblina, sistema de fixação de cadeiras para crianças (Isofix), espelhos retrovisores externos elétricos, rodas em alumínio de 16 polegadas, computador de bordo, controlador de velocidade de cruzeiro, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva com ajuste automático de intensidade, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, vidro elétrico nas portas com acionamento por “um toque”, volante com controle das funções do rádio, telefone e piloto automático, multimídia MyLink com tela LCD sensível ao toque de 7 polegadas, rádio, USB e entrada auxiliar, função áudio streaming, conexão bluetooth para celular, aplicativos para smartphone e configurações do veículo, além do sistema via satélite OnStar.

Câmbio e motor – O Spin Activ 7 é ofertado exclusivamente com transmissão automática de 6 velocidades e opção de troca manual de marchas através de botões na alavanca de mudanças (faltam as aletas atrás do volante).

Esse sistema ajuda na condução, principalmente para acionar o freio motor, mas exige que a alavanca seja posicionada na posição manual. O ideal seria se o mesmo permitisse trocar as marchas na posição Drive e que, após um período sem intervenção do condutor, ele retornasse para o automático.

No mais, seu funcionamento é muito suave e “escolhe” as marchas certas para cada situação. O motor 1.8 flex com oito válvulas desenvolve 111/106 cv de potência às 5.200 rpm e tem torque 17,7/ 16,8 kgfm às 2.700 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente.

Ele trabalha em harmonia com o câmbio garantindo bom desempenho, de acordo com a proposta familiar do Spin. O motor não é dos mais modernos, mas o carro é leve para seu tamanho, 1.275 kg. Contudo, o consumo foi razoável: médias de 8 km/l na cidade e 13 km/l nas estradas, sempre com gasolina e conduzido de forma econômica. Seu tanque, com capacidade para 53 litros de combustível, garante uma boa autonomia também.

Dirigindo – Apesar da proposta aventureira, o Spin Activ 7 se sai melhor no asfalto. Sua sexta marcha é longa o suficiente para circular com baixas rotações do motor. Em velocidades máximas permitidas, ouve-se mais o vento contra a carroceria e os pneus sobre o asfalto do que o conjunto mecânico, mas são ruídos contidos, garantindo conforto acústico.

As suspensões também são eficientes e entregam equilíbrio entre conforto e estabilidade. Os pneus da versão são de uso misto nas medidas 205/60 R16. Eles só garantem um pouco mais de aderência na terra, mas não transformam o modelo em um fora de estrada.

A direção elétrica é eficiente em todas as situações e o sistema multimídia tem fácil operação, além de oferecer os principais recursos desejados atualmente. O sistema OnStar nos atendeu prontamente e com precisão nas respostas.

Em relação ao Spin anterior, o modelo 2019 ganhou em estética, qualidade dos acabamentos e precisão do câmbio automático, pois ele foi reprogramado. Em segurança, adotou o sistema Isofix e cinto de três pontos e encosto de cabeça para os sete ocupantes.

Mas ainda ficou devendo os importantes controles de estabilidade e de tração, equipamentos que estão em praticamente todos os carros nessa faixa de preço.

Segundo dados de emplacamentos fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), de janeiro a novembro deste ano a GM vendeu 21.997 unidades do Chevrolet Spin.

Este levantamento apresenta o resultado dos 50 modelos mais emplacados. Entre eles só existem mais dois monovolumes: o Honda Fit, com 25.080 unidades, e o Honda WR-V, com 13.595 unidades comercializadas.

Na lista, essas são as suas posições: Fit 26ª, Spin 30ª e o WRV 41ª. Esperamos que esses práticos veículos não desapareçam desta apuração e continuem como ótimas opções aos atuais predadores da “cadeia alimentar”, os utilitários esportivos (SUV).

*Colaborador