Chineses já vêm sofrendo, em 2018, os efeitos da guerra comercial com os Estados Unidos, que começa a afetar o país - CRÉDITO: ARQUIVO DC

Pequim – O crescimento econômico da China desacelerou para o ritmo trimestral mais fraco desde a crise financeira global no terceiro trimestre, com reguladores agindo rapidamente para acalmar os nervos dos investidores, conforme a campanha de um ano para lidar com os riscos da dívida e a guerra comercial com os Estados Unidos começam a impactar.

A economia cresceu 6,5% no terceiro trimestre, em comparação com o ano anterior, abaixo da expectativa de 6,6% e contra 6,7% no segundo trimestre, informou a Agência Nacional de Estatísticas na sexta-feira (19).

Este foi o crescimento trimestral do Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco na comparação anual desde o primeiro trimestre de 2009, no pico da crise financeira global.

“A tendência de desaceleração está se fortalecendo, apesar da promessa das autoridades chinesas de encorajar o investimento doméstico para sustentar a economia. A demanda doméstica está mais fraca do que as exportações inesperadamente sólidas”, disse Kota Hirayama, economista sênior de mercados emergentes do SMBC Nikko Securities.

Mercado – Após mais uma grande queda das ações chinesas na quinta-feira (18), as autoridades lançaram uma tentativa coordenada de acalmar os mercados, com o presidente do banco central, Yi Gang, afirmando que as valorizações das ações não estão em linha com os fundamentos econômicos. Pequim já vem aumentando o suporte nos últimos meses para impulsionar o crescimento.

Yi e outras autoridades prometeram medidas específicas para ajudar os problemas de financiamento das empresas e encorajar os bancos comerciais a impulsionar os empréstimos para empresas privadas. O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, que supervisiona a economia e o setor financeiro, também contribuiu para melhorar o sentimento.

O índice Xangai Composite, que registrou queda de mais de 1% no início do pregão de sexta-feira, subiu fortemente e fechou com alta de 2,6%.

O crescimento no terceiro trimestre foi afetado pela produção industrial mais fraca desde fevereiro de 2016 em setembro, com as montadoras reduzindo a produção em mais de 10% em meio ao enfraquecimento das vendas.

“A fraqueza está vindo da indústria secundária, mas destacadamente da manufatura. Podemos revisar nossas estimativas para o quarto trimestre”, disse Betty Wang, economista sênior do ANZ.

Na comparação trimestral, o crescimento desacelerou para 1,6% de 1,7% no segundo trimestre, igualando as expectativas.

Mas a expansão no segundo trimestre foi revisada para baixo de 1,8% informado anteriormente, sugerindo que a economia entrou com menos força no segundo semestre do que muitos analistas esperavam.

Antes da divulgação dos dados, economistas esperavam que o crescimento da China no ano chegasse a 6,6%, atingindo confortavelmente a meta do governo de 6,5%, e fosse a 6,3% em 2019. Mas, agora, alguns dizem que a expansão pode enfraquecer ainda mais no próximo ano.

Indústria – Dados separados mostraram que o crescimento da produção industrial da China enfraqueceu para 5,8% em setembro, em relação ao ano anterior, enquanto o investimento em ativos fixos se expandiu em um ritmo ligeiramente superior ao que era esperado, a 5,4%, nos primeiros nove meses do ano.

O investimento em infraestrutura aumentou 3,3% em relação ao ano anterior, no período de janeiro a setembro, um ritmo mais lento que o crescimento de 4,2% nos primeiros oito meses do ano.

As vendas no varejo avançaram 9,2% em setembro, em relação ao mesmo período do ano anterior, saltando após vários meses de crescimento fraco.

Na semana passada, o Banco do Povo da China anunciou o quarto corte de compulsório de bancos deste ano, aumentando as medidas para reduzir os custos de financiamento. E mais medidas de apoio podem vir, disseram analistas, à medida que a China começa a arcar com o peso total da disputa comercial com os Estados Unidos. (Reuters)