Fotos: Pedro Bicudo/Citroen/Divulgação

AMINTAS VIDAL,* de Mogi das Cruzes (SP)

Para concorrer na faixa de mercado mais disputada do momento, a Citroën acaba de lançar o SUV compacto C4 Cactus. Ele é uma reestilização do modelo europeu, mas desenvolvida pela equipe de designers da Citroën do Brasil.

Inicialmente projetado para a América Latina, acabou estreando no velho continente, tamanho o acerto das suas linhas. Agora, produzido na fábrica da PSA em Porto Real (RJ), ele é o produto que pretende resgatar a Citroën que enchia os olhos do consumidor brasileiro.

Como não poderia deixar de ser, foi no design que montadora apostou todas as suas fichas. A carroceria em dois volumes bem destacados, a frente alta e agressiva, laterais bem definidas por diferenças cromáticas e uma traseira robusta seguem a cartilha dos aventureiros mais desejados.

Além de fazer o dever de casa, a Citroën caprichou nos detalhes para diferenciar o seu modelo. O conjunto de iluminação dianteiro é dividido em três patamares: luzes de posicionamento diurno acima, faróis ao centro e faróis de neblina abaixo.

Os mais desavisados poderão dizer que essa solução foi copiada da Fiat Touro mas, provavelmente, ocorreu o oposto, pois o Citroën C4 Cactus original já apresentava esse recurso de estilo e foi projetado antes da picape da marca italiana.

As laterais se diferenciam pelas molduras plásticas que cobrem toda a base das portas (elas substituíram as “almofadas” existentes no Cactus original). Também se destacam a coluna “C” em formato de barbatana de tubarão e a possibilidade de escolher as cores do teto, das capas dos retrovisores, das peças de acabamento dos faróis de neblina e dos detalhes decorativos inseridos nas proteções das portas mencionadas acima.

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Três versões de acabamento e duas opções de motorização

Por falar em cores, o modelo terá, apenas, seis opções (preta e branca sólidas, prata, cinza, azul e branca metálicas). Mas essa possibilidade de customização, realizada na linha de pintura da fábrica, amplia a oferta para 14 combinações possíveis.
O mais interessante desse recurso é que uma cor pode ser aplicada ao teto e outra às colunas, deixando o primeiro com um “aspecto flutuante”, nas palavras dos engenheiros da marca.

Na traseira, a assinatura luminosa em 3D das lanternas é o elemento marcante, talvez o que mais irá  destacar o C4 cactos em meio a tantos SUVs que invadiram as ruas brasileiras.

Se o exterior desenvolvido no Brasil ganhou a Europa, o interior feito aqui, também para a América Latina, é uma simplificação em relação ao europeu original. Mais monocromático e com materiais mais rígidos nos painéis, ele está na média da categoria nacional, mas bem distante da qualidade dos acabamentos e da ousadia do design interno apresentado em seu continente de origem.

Porém, o espaço é o mesmo. Com 2,60 metros de entre-eixos, existe boa área para as pernas de quatro ocupantes. O túnel central elevado compromete o conforto do quinto passageiro. O desenho quadrado da carroceria garante bom espaço para os ombros de todos.

Para as cabeças, também há espaço suficiente, apesar da pequena área envidraçada dar uma impressão contrária. Como não existe mágica, se o piso é alto e o teto baixo, as pernas ficam levemente flexionadas, sem apoiar totalmente nos bancos.

Todas as peças internas apresentam um desenho horizontal com formas arredondadas nas extremidades. O padrão se repete nos detalhes, alguns em baixo e, outros, em alto-relevo. O conjunto cria um ambiente dinâmico e moderno, mas a falta de cores e matérias mais nobres dão uma impressão de simplicidade ao interior.

São três padrões de revestimento: em tecido simples, na versão de entrada, em tecido canelado, na intermediária e um revestimento em material sintético que imita o couro, na versão de topo de linha.

O painel de instrumentos é 100% digital, muito bem definido, mas não é configurável. Ele destaca a velocidade, a marcha engatada e o giro do motor. A temperatura da água e o modo de condução aparecem em segundo plano.

Informações do computador de bordo ficam em terceiro. Seguindo nessa linha, até os controles de ventilação e do ar-condicionado são feitos através da tela de sete polegadas do sistema multimídia. Contudo, são poucos os botões físicos no painel central. Dependendo da versão, menos botões que no volante.

* O colaborador viajou a convite da Citroën