Crédito: Divulgação/Seapa Usada em 09-04-19

São Paulo – A colheita de café do Brasil está adiantada na comparação com o ano passado e em relação à média histórica, com produtores avançando nos trabalhos apesar de chuvas – que trazem algumas preocupações ao setor -, segundo dados divulgados ontem pela Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, e pela consultoria Safras & Mercado.

“A colheita de café no Brasil ganha mais ritmo, apesar das chuvas”, resumiu, em nota, o consultor da Safras Gil Barabach, destacando que o total colhido é de 16% da safra do País, o maior produtor e exportador global.

Os trabalhos de colheita começaram antes este ano, após floradas precoces em 2018 e altas temperaturas em dezembro e janeiro que aceleraram a maturação dos cafezais, em uma safra que deverá ser grande, segundo o consenso do mercado, apesar de o País estar no ciclo de baixa bianual do arábica.

Segundo a consultoria Safras, o Brasil já colheu cerca de 9,5 milhões de sacas, de acordo com dados apurados até o último dia 21, um volume que tem ajudado a colocar pressão nos preços globais, que oscilaram perto de mínimas em mais de 13 anos recentemente.

Na mesma época de 2018, quando a safra foi de alta no ciclo do arábica e superou 60 milhões de sacas, os trabalhos tinham avançado para 11% do total, nesta época. Pela média dos últimos cinco anos, a colheita deveria estar em 15%, segundo a Safras.

No café arábica, a colheita está mais acelerada mesmo com a umidade elevada. Já foi colhido 10% da safra da variedade, projetada em 40,70 milhões de sacas, segundo a Safras, que indicou que, nas áreas do conilon, a chuva atrapalhou os trabalhos no Espírito Santo, mas deu uma trégua em Rondônia.

A consultoria considera que o Brasil produzirá em 2019/20 58,9 milhões de sacas de 60 quilos, ante um recorde de 64,10 milhões de sacas em 2018.

Preocupação – O número da Safras, contudo, está acima do apontado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta 50,92 milhões de sacas em 2019, uma redução de 17,4% ante 2018.

A Cooxupé, que atua na principal área produtora de arábica, região que corresponde a mais de 200 municípios do Sul de Minas Gerais, Cerrado mineiro e média mogiana do Estado de São Paulo, tem uma posição mais conservadora, assim como a Conab.

“A Cooxupé ainda afirma a possibilidade de ter uma nova estimativa, com o início da colheita, confirmando queda na produção e perda de qualidade do café, ocasionadas pela antecipação do processo de maturação do café, pelas várias floradas irregulares ocorridas no ano passado, na área de atuação da Cooxupé, e também por um início de colheita chuvoso”, disse a cooperativa em nota.

Segundo a Cooxupé, os cafeicultores já colheram 7,14% da produção na área dos cooperados, estimada em 7,6 milhões de sacas. Na mesma época do ano passado, a colheita havia atingido apenas 3% do total. (Reuters)