Acreditamos na tecnologia como ferramenta para tornar a jornada do hóspede mais confortável, mas acreditamos que só pessoas podem receber bem outras pessoas - Foto: Cristiane Santos

Nos últimos dias de 2018 a notícia da troca de comando no grupo Tauá Resort & Convention pode ter surpreendido alguns membros da cadeia do turismo brasileira menos atentos, mas o processo que levou o empresário Daniel Chequer Ribeiro a substituir o patriarca João Pinto Ribeiro levou, pelo menos, dois anos.

Daniel é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especializado em Finanças pela Fundação Dom Cabral (FDC). Ele já atuava na companhia como diretor Administrativo e Financeiro e agora vai comandar um imponente patrimônio formado por dois resorts em Minas Gerais – nas cidades de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e Araxá, no Alto Paranaíba; um hotel e um resort em São Paulo, na cidade de Atibaia; e um hotel em Alexânia, no Distrito Federal. Tudo isso, além de uma equipe com mais de 1,3 mil colaboradores.

O Grupo Tauá contará também com um conselho, formado por um profissional de renome do mercado hoteleiro, um do mercado financeiro, e dois membros da família Ribeiro: João Luiz Chequer, o primogênito, e o empresário João Pinto Ribeiro – que também permanece realizando o treinamento institucional dos colaboradores (chamados de emocionadores pelo grupo) que ingressam na Rede, além das reuniões semestrais com todas as equipes do Grupo Tauá.

Em 2018, a empresa cresceu 26%. Os novos 218 apartamentos (do total de 1.280) e o sucesso da divisão de parques do grupo – hoje representada pela Jota City – mas que terá os parques aquáticos agregados em breve, impulsionaram os indicadores. Em 2019, a expectativa é crescer 13%.
Em uma conversa exclusiva com o DIÁRIO DO COMÉRCIO, Daniel Chequer Ribeiro fala dos desafios do novo cargo, a concorrência estrangeira e das expectativas para os próximos anos, que incluem um avanço considerável da marca pelo Sul do País.

Como você se preparou, principalmente do ponto de vista emocional, para assumir o cargo de presidente do Grupo Tauá?

Como o Tauá é uma empresa familiar e fez uma transição interna, sem trazer um executivo de fora, isso foi mais simples do que em outros casos. Eu já estava dentro da empresa, já acompanhava as estratégias. Isso dá mais tranquilidade para mim e para todos os parceiros, de fornecedores a colaboradores. Claro que isso muda um pouco a minha rotina, mas isso vem sendo discutido e preparado há dois anos.

O grupo começa 2019 anunciando um forte ciclo de expansão e voltando esforços para a região Sul do Brasil. Pode falar um pouco desses investimentos?

Desde o segundo semestre do ano passado a economia vem se recuperando e a estabilidade política faz com que os investimentos voltem a ser realizados nos diversos setores. Isso também nos anima a seguir em busca dos nossos objetivos. Este ano vamos comprar dois terrenos próximos a Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR), onde serão construídos nossos próximos resorts dentro da política de empreendimentos sempre perto das grandes capitais. Estimamos que seja necessário um ano e meio para que o projeto e todas as licenças estejam prontas para começarmos a construção e mais dois anos de obras. É um prazo relativamente curto porque nós somos os próprios construtores. Temos um departamento pra isso e uma expertise adquirida ao longo de todos esses anos. Isso nos garante um custo menor e que tudo vai sair do nosso jeito, com o nosso DNA.

O grupo começa 2019 anunciando um forte ciclo de expansão e voltando esforços para a região Sul do Brasil. Pode falar um pouco desses investimentos?

Desde o segundo semestre do ano passado a economia vem se recuperando e a estabilidade política faz com que os investimentos voltem a ser realizados nos diversos setores. Isso também nos anima a seguir em busca dos nossos objetivos. Este ano vamos comprar dois terrenos próximos a Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR), onde serão construídos nossos próximos resorts dentro da política de empreendimentos sempre perto das grandes capitais. Estimamos que seja necessário um ano e meio para que o projeto e todas as licenças estejam prontas para começarmos a construção e mais dois anos de obras. É um prazo relativamente curto porque nós somos os próprios construtores. Temos um departamento pra isso e uma expertise adquirida ao longo de todos esses anos. Isso nos garante um custo menor e que tudo vai sair do nosso jeito, com o nosso DNA.

Falamos da expansão para o Sul, mas no médio prazo o Grupo Tauá tem planos ainda mais ambiciosos, não é? Podemos falar em internacionalização da marca?

Por enquanto, não; pelo menos no médio prazo. Mas é certo que pensamos grande e não descartamos nenhuma boa oportunidade. O que vamos fazer agora é reforçar a nossa posição como um grupo nacional. Estamos nos preparando para em cinco anos estarmos no mercado do Nordeste.
Dentro desse esforço de modernização da marca, contratamos o escritório de arquitetura e design nova-iorquino, Studio Gaia, que já atuou para marcas como “The Ritz-Carlton” e “Hyatt”, entre outras marcas mundiais, para o projeto do Tauá Alexânia, a modernização em Caeté, e também para as reformas da recepção, restaurantes Pedra Grande e Pedra Bela, e o SPA, do Tauá Atibaia. Paralelamente, contratamos a Consultoria de Branding Pande, de São Paulo, para fornecer suporte no diagnóstico atual das nossas marcas.

Mas esses planos não fazem com que Minas Gerais perca importância ou receba menos investimentos, não é?

De maneira alguma, até pelo contrário. Em Caeté temos um plano regular de investimentos de R$ 2 milhões anuais. Lá, 65 apartamentos passarão por retrofit, além da área de jogos revitalizada. Ainda teremos a inauguração do nosso centro de convenções com 26 salas em três diferentes ambientes, que vão compor o maior espaço para eventos de Minas Gerais.
A nossa operação em Araxá segue com ótima performance. Em que pese ser o nosso resort mais distante de um grande aeroporto (a 180 quilômetros de Uberlândia, no Triângulo), quem chega não quer ir embora. Traçamos uma estratégia de criar nossos próprios eventos e isso tem dado muito certo. O próximo é a Páscoa Iluminada, um grande sucesso nos últimos anos. A hotelaria, como um todo, tem se voltado a atender também o público local.

Isso quer dizer que o turismo de eventos e negócios vai manter sua força nos empreendimentos do Tauá?

Tivemos uma crise no setor de eventos depois de 2014, mas 2018 já demonstrou uma retomada. Estamos animados para esse ano, com a economia voltando a girar empresas terão que investir em treinamentos. Teremos, ainda, uma nova área exclusiva para fretamentos nacionais e regionais.

Grupos hoteleiros estrangeiros têm buscado oportunidades no Brasil, especialmente no segmento de resorts. Quais as estratégias para enfrentar esse tipo de concorrência?

Empresas portuguesas e espanholas vêm ocupando especialmente o Nordeste. Isso é excelente para o mercado nacional porque eles trazem novidades, puxam a qualidade pra cima. Mas eles também aprendem muito com os brasileiros. Aqui tem diferenças no atendimento, na legislação. Vejo essa convivência com bons olhos.

O Tauá é também conhecido sobre o seu relacionamento com os seus colaboradores, rebatizados como “emocionadores”, e deles com os hóspedes. Quais as estratégias para fazer manter esse relacionamento como diferencial da marca?

Estamos indo na contramão dessa tendência da robotização do atendimento. Claro que acreditamos na tecnologia como ferramenta para tornar a jornada do hóspede mais confortável, mas acreditamos que só pessoas podem receber bem outras pessoas. Criamos, por exemplo, a possibilidade de o hóspede fazer o check-out express, através do aplicativo, mas no balcão ele sempre vai encontrar alguém treinado para ouvir e atender suas necessidades e desejos. Não vamos abrir mão do relacionamento humano, foi ele que nos trouxe até aqui.