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Começou na última quinta-feira (20), com prazo até 20 de novembro, o vazio sanitário do algodão em Minas Gerais. A medida tem como objetivo a redução da infestação do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura que causa prejuízos significativos quando presente no campo. No período, fica proibida a produção e a permanência de plantas remanescentes da safra 2017/18. Em caso de descumprimento do vazio, o produtor poderá ser multado em até 1,5 mil Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs), cerca de R$ 4.877.

O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é uma espécie de besouro de coloração cinzenta ou castanha, com mandíbulas afiadas utilizadas para perfurar o botão floral e a maçã dos algodoeiros. O inseto se alimenta da estrutura reprodutiva das plantas e o botão atacado cai, prejudicando a produtividade e a qualidade da fibra gerada. A praga é a principal que acomete o algodão e pode inviabilizar o cultivo do produto, quando não combatida.
De acordo com o diretor executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), Lício Pena de Sairre, a erradicação das plantas de algodão no período do vazio é de suma importância para o controle da praga.

“O bicudo-do-algodoeiro é a principal praga da cultura e a reprodução do besouro só acontece no algodão. Ao manter o campo sem plantas durante os 60 dias é possível quebrar o ciclo de reprodução e reduzir a pressão da praga sobre a próxima safra”. Segundo ele, a infestação das lavouras pode provocar danos econômicos que chegam a 75% da produção. “Se não for controlada, o custo para o combate pode variar de R$ 500 a R$ 1 mil por hectare. O controle prévio é determinante para a lucratividade da produção”, explicou.

No Estado, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o responsável por fiscalizar o campo. Ao visitar as propriedades e encontrar plantas de algodão vivas, a unidade é notificada e em um prazo de 10 dias é feita nova vistoria. Caso as plantas permaneçam, a propriedade pode ser autuada e multada.

O cuidado com o vazio é importante para a próxima safra de algodão, que deve ser maior que a 2017/18. Com a safra deste ano encerrada, as expectativas para o próximo período produtivo são positivas, mas os produtores devem ficar mais atentos aos custos de produção, que estão maiores que os registrados na safra passada.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2017/18, Minas Gerais produziu 99,2 mil toneladas de algodão em caroço, um avanço de 70,2% frente à produção de 58,3 mil toneladas registradas em 2016/17.

Os dados da Amipa mostram que somente na produção de algodão em pluma houve um crescimento próximo a 65%, somando 44 mil toneladas. O incremento significativo ocorreu devido à demanda aquecida e valores elevados pagos pelo produto. Cerca de 30% da produção mineira de pluma é dirigida às exportações, que têm como principal destino o sudeste asiático.

Projeções – Para a safra 2018/19, que começa a ser plantada logo após o encerramento do vazio sanitário, a previsão é colher em torno de 50 mil toneladas de algodão em pluma. A área de plantio deve subir de 25,25 mil hectares para 35 mil hectares.

De acordo com Sairre, o cenário para o algodão é favorável, mas não tanto como o registrado no período produtivo anterior. O plantio da nova safra começará com custos mais elevados em função da desvalorização do real frente ao dólar e ao encarecimento do frete e de insumos como os fertilizantes, por exemplo. Além disso, os preços da pluma de algodão continuam estabilizados e próximos a R$ 100 por arroba. Os custos de produção da safra 2018/19 passaram de uma média de R$ 8,8 mil por hectare para R$ 10 mil por hectare.

“Diante do cenário, os produtores precisam ser eficientes, precisam utilizar as tecnologias disponíveis e fazer o monitoramento rigoroso das pragas e doenças. Somente desta forma será possível reduzir os impactos do aumento dos custos e garantir lucro com a atividade. Todos estes cuidados são necessários, uma vez que a produção de algodão já tem o custo bem elevado. Quando comparada com as demais culturas, como o milho e a soja, por exemplo, o custo com o algodão é cerca de 50% superior”, explicou Sairre.