Crédito: Alisson J. Silva/ Arquivo DC

A combinação de ritmo lento de recuperação da economia e manutenção do elevado nível de incerteza quanto à aprovação das reformas continua impactando negativamente o otimismo do empresariado mineiro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) atingiu 56,6 pontos em maio, com queda de 0,6 ponto no comparativo com abril (57,2 pontos). Essa é a terceira retração consecutiva do indicador.

“O resultado mostra o arrefecimento da confiança dos empresários”, disse a analista de estudos econômicos da Fiemg, Daniela Muniz. O cenário, segundo a analista, inibe investimento e prejudica a atividade industrial.

Ela ressalta que, apesar da queda na passagem de abril para maio, o índice permanece mostrando confiança. O indicador varia de 0 a 100 pontos, com valores acima de 50 pontos indicando otimismo. Na comparação com maio de 2018 (54,2 pontos), o índice mostrou alta de 2,4 pontos e ficou acima da média histórica (52,1 pontos), o melhor resultado para o mês em sete anos. “Houve, de fato, uma melhora da economia, mas em um ritmo muito abaixo do esperado”, explica a analista.

Quanto ao porte, as melhores avaliações foram feitas por empresários à frente das grandes indústrias (58,2 pontos). Em seguida, estão as de médio (56) e pequeno porte (53,9).

A retração do Icei foi puxada pelo indicador de condições atuais – que mostra a avaliação dos empresários sobre as condições correntes dos negócios –, que ficou em 46,3 pontos, com queda de 2,4 pontos na comparação com abril (48,7). É a segunda vez consecutiva que o índice registrou insatisfação, sendo que, antes disso, o indicador se manteve cinco meses com valores acima dos 50 pontos. O índice ficou 3,4 pontos abaixo do registrado em maio de 2018 (49,7).

“Enquanto continuar essa incerteza, o cenário não vai mudar. A economia está no compasso de espera”, disse Daniela Muniz, ressaltando a indefinição sobre as reformas estruturais, como a reforma da Previdência.

A avaliação sobre a situação atual da economia brasileira ficou em 44 pontos; da economia do Estado atingiu 40,9 pontos; e, da própria empresa, ficou em 48,3 pontos.

Expectativas – Outro componente do Icei, o índice de expectativas para os próximos seis meses registrou ligeira alta de 0,2 ponto, passando de 61,5 pontos (abril) para 61,7 pontos (maio). A pequena alta interrompeu queda de 6,9 pontos registrada nos dois meses anteriores. Com esse resultado, o indicador mostra empresários otimistas por dez meses consecutivos. Além disso, esse é o melhor índice para o mês em sete anos. A expectativa quanto à economia brasileira atingiu 58,2 pontos; quanto à economia mineira ficou em 55,7 pontos; e, quanto à empresa, foi de 64,1 pontos.

No País, otimismo também diminui no período

Brasília – A confiança do empresário industrial caiu pelo quarto mês seguido no País. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou 1,9 ponto em maio e atingiu 56,5 pontos. O indicador acumula queda de 8,2 pontos desde fevereiro. As informações são da pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão acima de 50 pontos mostram que os empresários estão otimistas. Segundo a pesquisa, o Icei está dois pontos acima da média histórica (54,5 pontos) e permanece distante da linha divisória dos 50 pontos. “Apesar dessa sequência de quedas, a confiança do empresário ainda pode ser considerada elevada”, destaca a CNI.

De acordo com o economista da CNI Marcelo Azevedo, o Icei costuma aumentar na passagem de dezembro para janeiro e, com mais intensidade, em períodos de mudança de governo. “Agora passamos por um momento de reavaliação, já que os empresários estão percebendo mais dificuldades neste início de ano em relação à avaliação feita no fim de ano”, destaca, em nota.

“Uma queda na incerteza melhoraria o índice. O andamento da reforma da Previdência seria muito importante para uma recuperação da confiança e poderia sinalizar o andamento de outras reformas também importantes, como a tributária, que teria efeitos mais imediatos na economia”, afirmou.

Segundo a CNI, a retração no índice foi causada, principalmente, pela piora das condições atuais da economia e das empresas, que recuaram dois pontos e atingiram 47,8 pontos em maio. Conforme o documento, ao se afastar da linha divisória, o índice mostra que o empresário percebe piora das condições de negócio.

Em relação às expectativas, apesar do recuo de 1,8 ponto ante abril, o índice registrou 60,8 pontos e ainda permanece bem acima da linha divisória dos 50 pontos. Isso sinaliza confiança do empresário sobre a melhoria das condições futuras da economia e da empresa, destaca a CNI.

Setores e regiões – O Icei de todas as regiões, portes e segmentos retraíram em maio. As maiores quedas ocorreram nas regiões Norte, com recuo de 3,8 pontos, e Centro-Oeste, com queda de 3,3 pontos. Em relação ao porte, a retração foi maior nas médias empresas, de 2,6 pontos. Entre os segmentos, a maior diminuição na confiança do empresário ocorreu na indústria de extração: 4,6 pontos.

Esta edição do Icei foi feita entre 2 e 13 de maio com 2.404 empresas. Dessas, 952 são pequenas, 885 são médias e 567 são de grande porte, informou a CNI. (ABr)