Pessimismo do industrial mineiro é atribuído ao cenário de indecisão política do País, piorando a avaliação das condições atuais e adiando investimentos - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

A confiança do empresário industrial caiu novamente para níveis negativos em setembro. Neste mês, o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei/MG) foi de 49,6 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos e também inferior aos 50,7 pontos registrados em agosto e aos 55 pontos do mesmo mês de 2017, o que indica pessimismo. A pesquisa é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

 

“A confiança do empresário caiu, basicamente, em função do cenário político. O País está em compasso de espera e quem vai tomar decisão de investimento agora?”, pontuou o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ontem, em entrevista a jornalistas, durante divulgação do Icei.

Em relação às condições atuais de negócio, os empresários estão insatisfeitos e o índice bateu em 44,7 pontos em setembro, e menor do que o de agosto (45,7 pontos). A insatisfação cresce ainda mais quando se trata da economia brasileira (39,8 pontos), da economia do Estado (38,6 pontos) e melhora, mas continua negativo, no que se refere à própria empresa (47,5 pontos).

As empresas de pequeno porte registraram os piores números, com insatisfação em relação às condições atuais de negócios, que chegou a 39,6 pontos. Na sequência, as indústrias de médio porte, com 42,2 pontos, seguidas pelas de grande porte, com índice de 48,5 pontos. Todos indicam insatisfação.

Para o presidente da Fiemg, a insatisfação e a queda da confiança do empresário industrial são resultado da incerteza política que ronda o País ante as eleições presidenciais em outubro. “Este ano está pior, comparado a outros anos eleitorais. E isso já está impactando no melhor momento para a indústria, que são as datas de fim de ano”, lamentou Roscoe.

Segundo ele, as encomendas de final de ano, que normalmente começam nesta época, estão menores que as do mesmo período de 2017. Com isso, os estoques nas indústrias estão aumentando e a ociosidade está acima do nível histórico, o que afasta ainda mais a possibilidade de investimentos, já que a tendência do parque é de sempre ocupar a capacidade ociosa antes de investir.

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Projeções – Ainda assim, o Icei mostrou que, em setembro, os industriais mineiros estão otimistas em relação ao futuro, com as expectativas chegando aos 52,3 pontos, 0,9 ponto a menos que em agosto. Porém, o indicativo que puxou o resultado para a zona do otimismo foi a expectativa em relação à própria empresa (55,9 pontos), já que em relação à economia do País e do Estado, o índice ficou na zona de pessimismo, chegando a 46,2 pontos e 45,1 pontos, respectivamente.

Na divisão por porte de empresas, as expectativas foram positivas nas médias empresas (54 pontos) e nas grandes (53,8 pontos). Entretanto, nas pequenas, as expectativas fecharam setembro em 47,3 pontos, na zona negativa. Em todos os portes, as expectativas são positivas para o próprio negócio, mas negativas em relação à economia brasileira e estadual.