Recuperação lenta da economia tem preocupado o comércio - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo dc

A crise econômica e a demora para a aprovação das reformas propostas pelo governo federal estão impactando de forma negativa a confiança dos empresários do comércio varejista de Belo Horizonte. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), após registrar alta consecutiva durante oito meses, o indicador recuou em abril. O Icec reduziu 1,2 ponto, variando de 120,7 pontos, em março, para 119,5 pontos em abril. Apesar da retração, o Icec ainda permanece acima da fronteira do otimismo, que é marcada pelos 100 pontos.

O índice é elaborado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com o economista da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida, o Icec é composto por três índices, e, em abril, o índice que mede a expectativa dos empresários apresentou a retração mais expressiva, o que contribuiu para a queda da confiança.

Segundo os dados da entidade, dois dos três indicadores que compõem o Icec diminuíram em abril, impactando de forma geral a análise.

O Indicador de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec), que mede as perspectivas para a economia brasileira, para o comércio e para os estabelecimentos, caiu de 157,4 pontos, apurados em março, para 155,4 pontos em abril.

Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec), que avalia, por meio do planejamento para o quadro de funcionários, planos de melhorias e a situação dos estoques das empresas, traçando uma estimativa para o nível de investimento desses negócios, reduziu de 103,1 pontos para 101,1 pontos.

Enquanto isso, o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), que indica, por meio da percepção do empresário, a evolução das condições da economia do país, do setor e das empresas, além do momento atual dos empresários, manteve-se estável, variando de 101,8 pontos em março para 101,9 pontos em abril.

Deterioração – “O mercado vem com uma nova onda de pessimismo. O indicador que apresentou a queda mais acentuada foi o que mostra a expectativa dos empresários do setor. A expectativa está se deteriorando muito em função do cenário atual tanto da guerra comercial no mercado internacional – que acaba afetando a economia mundial – quanto da avaliação das políticas adotadas, principalmente, na pauta reformista devido à situação de estagnação em relação à aprovação ou não”.

Ainda segundo Almeida, a ideia vai muito além da ideologia por trás das propostas das reformas previdenciária e tributária.

“É mais pela sinalização que o governo faz no que diz respeito às finanças públicas, uma vez que a aprovação das reformas levará a um alcance do teto de gastos e a um ordenamento das contas públicas. Tudo isso contribui para atrair mais investimentos para o País, gerando uma recuperação mais intensa da economia”.

Todo esse cenário vem afetando a confiança dos empresários do comércio, uma vez que o setor é o primeiro a sentir os reflexos da retração econômica e da falta de decisões políticas. Outros fatores que vêm contribuindo para a queda na confiança é o índice elevado de desemprego e a queda da renda da população, que acaba gerando impacto negativo no varejo.

“O setor lida na ponta com o consumidor final e o desemprego tende a afetar a demanda familiar”, explicou Almeida.

Com o cenário desfavorável e a instabilidade, os empresários também estão mais cautelosos em relação a investir.

“O empresário investe se tem boa perspectiva em relação à empresa e à economia do País. Como a perspectiva não está tão positiva, a tendência é de que os investimentos não aconteçam ou sejam postergados”, completou.