Litro do leite a ser pago em maio foi calculado em R$ 1,2774 - Crédito: Arnaldo Alves - SECS

Após muitos estudos e a união entre a produção primária e a indústria láctea, Minas Gerais terá um preço referência para o leite. O valor será utilizado como parâmetro para as negociações de preços entre o produtor de leite e a indústria.

O estabelecimento da média é considerado fundamental para o melhor planejamento dos produtores e posicionamento das indústrias no mercado.

Com um valor referência definido para um leite padrão, a expectativa é de que ocorra melhoria do produto, uma vez que a quantia recebida por ele pode ser ampliada em até 26% caso a qualidade supere a média estipulada.

O litro do leite padrão entregue em abril (a ser pago em maio) foi calculado em R$ 1,2774 e a projeção para entregas feitas em maio (a serem pagas em junho) é de R$ 1,3061. O cálculo é feito pelo Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Indústrias de Laticínios (Conseleite). Esses valores de referência têm como base o “leite padrão”, que deve conter 3,3% de gordura, 3,1% de proteína, 400 mil células somáticas por mililitro, 100 mil unidades formadoras de colônias por mililitro e uma produção individual diária de até 160 litros.

De acordo com o presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), Roberto Simões, a criação do valor médio é um grande avanço para o setor produtivo do leite e para as indústrias de Minas.

“Há anos, estamos tentando criar uma relação mais harmônica entre produtores e compradores da indústria. Depois de 22 meses de acurados os estudos, conseguimos lançar os primeiros preços de referência para um leite padrão. Esse produto vai ter o preço referência divulgado mês a mês. Todo mês teremos uma reunião em que vamos avaliar o mercado nos últimos 15 dias do mês anterior e 15 dias do mês em vigência. Então, o produtor terá uma antecipação, principalmente, da tendência, nem tanto é o valor absoluto, mas vai mostrar a tendência, por exemplo, se estamos em um período de alta, se estamos em período de baixa e o que está acontecendo com a indústria. E, assim, daremos condições do pecuarista planejar a produção”, destacou Simões.

Integração – Ainda segundo Simões, com a criação do Conseleite, a indústria passou a ter acesso a importantes informações do setor no Estado, como, por exemplo, a média das empresas que fazem parte do projeto comparada com o resultado de empresas que atuam em outros estados e médias nacionais. Assim, a indústria pode se situar melhor e aperfeiçoar o mercado.

“É um jogo de ganha-ganha. Nós teremos uma relação mais harmônica com a cadeia e teremos mais transparência dos dados, porque são abertos os custos de produção dos pecuaristas e os custos de transformação das indústrias. É o cotejamento desses dados que gera o preço de referência. É o preço médio de um leite padrão hipotético que pode subir até 26% caso o produtor melhore a qualidade. O valor também pode cair, até 8%, caso a qualidade seja menor. Além de tudo, é um estímulo à melhoria da qualidade do leite dos produtores e de Minas Gerais”, explicou Simões.

O vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), José Antônio Bernardes, disse que o setor acompanhou todo o processo de criação do Conseleite e avalia de forma positiva o estabelecimento de um preço referência para batizar os negócios entre indústria e produtores.

“A indústria acompanhou, desde o começo, a elaboração do Conseleite de Minas, e nós temos conhecimento de como é feito em outros estados. A indústria recebe com bons olhos, esperamos que funcione. Esperamos também que realmente haja critérios para chegarmos a um consenso no preço de referência. É importante que o produtor e os usuários da ferramenta saibam que estamos trabalhando com preço referência, que hoje está compatível com a realidade do Estado”, afirmou Bernardes.