Rafael Dantas*

Como sua empresa tem solucionado problemas? Há participação dos colaboradores? E investimento em tecnologia? A inovação tem pautado essas soluções? As respostas a esses questionamentos dizem muito sobre os negócios, a cultura e o clima organizacional. Mas, principalmente, contribuem para o crescimento da empresa.

Nesse sentido, investir em novas metodologias para solucionar problemas, com ideias criativas, participação de funcionários e uso de tecnologia tem se mostrado eficaz.

Segundo a Pesquisa Ibope Conecta, realizada entre 2016 e 2017, 55% das pequenas e médias empresas brasileiras que estão crescendo em seus segmentos priorizaram o uso de softwares que permitem a colaboração, ou seja, espaços por meio dos quais os funcionários têm a oportunidade de compartilhar documentos e cronogramas, cada qual interferindo com os conhecimentos de sua área de atuação.

Além de incentivar a comunicação e o relacionamento entre os profissionais, a colaboração entre equipes diferentes promove na pessoa uma noção mais abrangente e que faz real sentido sobre o seu papel dentro da empresa.

Esse método pode ser chamado de criação multidisciplinar. Pessoas de áreas diversas, atuando com pontos de vista e noções diferentes, porém, trabalhando em prol de um mesmo projeto. É possível dar certo? A agência de comunicação visual norte-americana Killer Infographics mostrou que sim e que pode trazer um resultado inovador.

A Killer reuniu designers, roteiristas de cinema e pesquisadores da área de neurociência para encontrar uma maneira mais assertiva de contar histórias visuais. Juntos fizeram um estudo sobre a importância do visual para a absorção de conteúdo e descobriram que informações visuais são assimiladas pelo cérebro 60 mil vezes mais rápido do que outras maneiras de comunicação. Também identificaram as reações que alguns elementos narrativos, como personagens, narrador e tempo, provocam no cérebro de uma pessoa.

Com isso, criaram o modelo inovador de arco narrativo visual para contar histórias de forma mais estratégica. Esse arco mostra que as novidades prendem o cérebro, que o emocional estimula a memória, a tensão faz com que o cérebro mantenha-se focado e que boas histórias geram a empatia entre os personagens e em quem está assistindo. Essa parceria entre os profissionais de áreas distintas resultou em uma nova estratégia para a elaboração de histórias que façam sentido para quem está do outro lado.

Outro exemplo mostra como a criação multidisciplinar pode unir mercados vistos como tradicionais às ferramentas da tecnologia e da Inteligência Artificial. A plataforma Artsy, que apresenta ao mundo digital as principais galerias do mundo, coleções de museus, fundações e propriedades de artistas, desenvolveu, com a ajuda de um cientista de dados, uma tecnologia que consegue prever artistas que estão em ascensão e que farão sucesso.

Com informações sobre o público presente em exposições, vendas em leilões e exibições em museus, a ferramenta cruza dados sobre a preferência artística de compradores, gerando informações que mostram futuros grandes artistas e impulsionam esse segmento.
Os exemplos da agência e da plataforma estão entre tantos outros que provam como a criatividade pode vir de qualquer setor. E que a integração entre as áreas de uma empresa pode gerar inovação e novas perspectivas para o negócio.

Assim como tenho falado de uma demanda cada vez maior por colaboradores multitarefas e capazes de “passear” pelas áreas e serem adaptáveis, as empresas também podem assimilar esse conceito, explorar a tecnologia e aproveitar a colaboração para gerar criatividade, inovação e ótimos resultados.

* Superintendente da Amcham Belo Horizonte