Os consumidores acima de 65 anos de idade foram os que mais contribuíram para o aumento da inadimplência em Belo Horizonte em julho. Com um crescimento de 1,17% no número de pessoas físicas inadimplentes em julho deste ano na comparação com o mesmo mês do ano anterior, os idosos da Capital continuam sendo os mais endividados, com um aumento de 16,41% na inadimplência entre as pessoas com mais de 65 anos na mesma base comparativa. As informações foram divulgadas ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda real média das pessoas com mais de 60 anos teve uma queda de 6,4% no primeiro trimestre de 2018 em comparação com o mesmo período do ano anterior, passando de R$ 3.392,00 para R$ 3.174,00.

O aumento no número de registros nos cadastros de devedores para a faixa etária de 65 a 94 anos segue uma tendência confirmada desde o início deste ano e, na avaliação da economista da CDL/BH, Ana Paula Bastos, o crescimento da inadimplência entre os idosos está relacionado, principalmente, ao aumento do custo de vida.

“A maioria desses consumidores é aposentada e já tem uma redução normal da renda e a elevação do custo de vida, principalmente com reajustes de planos de saúde e medicamentos, dificulta a destinação de recursos para o pagamento dos débitos. Além disso, o desemprego, muita vezes, faz com que as pessoas dessa faixa etária assumam a responsabilidade financeira das famílias”, explicou Ana Paula.

Os atrasos no pagamento dos servidores públicos estaduais também afetaram o resultado de julho. Segundo o levantamento da CDL/BH, na variação mensal, o número de pessoas inadimplentes recuou 0,74%, puxado pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário dos servidores municipais.

A pesquisa mostrou ainda que a inadimplência caiu entre os homens (-0,12%) e cresceu 0,79% entre as mulheres. Essa diferença pode ser explicada pelo maior desemprego entre o público feminino, que foi de 16,1% para as mulheres no 1º trimestre de 2018 diante de 11,9% para os homens no mesmo período, de acordo com informações do IBGE.

Número de dívidas – O indicador de dívidas em atraso junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da CDL/BH registrou decréscimo de 4,02% na comparação de julho deste ano com o mesmo mês de 2017. Em relação ao mês imediatamente anterior, houve queda de 1,06% no número de dívidas. Entre as faixas etárias, a maioria das dívidas (13,41%) também está entre as pessoas com mais de 65 anos.

Ana Paula Bastos ressalta que, apesar da redução do número de dívidas, o ritmo de queda tem sido mais lento e avalia que a entrada de capital extra, via PIS/Pasep, possibilitou que os consumidores quitassem alguns débitos.

“Muitas vezes, as pessoas não têm dinheiro para quitar o total da dívida, mas, à medida em que têm alguma renda disponível, pagam parte delas e diminuem, aos poucos, o número de dívidas que possuem”, afirmou.

Pessoas jurídicas – Entre as pessoas jurídicas, tanto a inadimplência quanto o número de dívidas aumentaram em julho. O volume de empresas endividadas cresceu 8,18% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado e, na variação mensal, foi registrado aumento de 0,1% da inadimplência.

O número de dívidas das empresas da Capital apresentou crescimento de 0,09% na comparação de julho com junho deste ano e, na variação anual, a quantidade de contas em atraso aumentou 5,48%. O número médio de dívidas de pessoas jurídicas em julho de 2018 foi de 1,98% por empresa, enquanto, no mesmo período do ano anterior, era de 2,03 por CNPJ.

A economista da CDL/BH destacou que o mercado de trabalho continua desaquecido e que a perda de renda real dos últimos anos ainda não foi totalmente recuperada. Com a inadimplência dos consumidores ainda alta, há impacto direto na propensão de consumo das famílias e nas receitas das empresas.

“O aumento das dívidas das empresas está ligado à elevação do custo de vida gerado pela elevação da inflação. Com menos recursos, as pessoas tendem a consumir menos e, consequentemente, as empresas passam a ter um retorno menor”, analisou Ana Paula Bastos.