Eleições ditam o ritmo de cautela do consumidor na Capital - Alisson J. Silva

O chamado consumidor formiguinha, aquele que realiza pequenas compras, é um dos grandes responsáveis por movimentar o varejo do material de construção, principalmente com a chegada do final do ano, quando muita gente aproveita o 13º salário para fazer reformas e preparar a casa para as festas. No entanto, mesmo com a proximidade dessa época, os comerciantes ainda não sentiram melhoras significativas no movimento.

Empresários do setor consideram que os clientes estão adiando a decisão de compra devido à incerteza do período eleitoral. Uma melhoria da situação é esperada ainda para este ano, assim que a eleição passar.

Superintendente-geral da CNR – Cerâmicas Nacionais Reunidas, Rogério Sotero ressalta que o chamado consumidor formiguinha contribui significativamente para o aquecimento dos negócios com a proximidade do fim de ano. Entretanto, ele vem observando que, neste ano, as vendas estão oscilando muito, o que não é próprio para essa época, quando já era para ter havido um aumento mais constante dos resultados.

Ele considera que o consumidor está muito cuidadoso devido ao cenário eleitoral. “O consumidor mineiro já tem a característica de ser mais desconfiado e fazer pesquisas. Agora, ele está esperando a definição do cenário”, explica.

E, segundo Sotero, devido à situação de incerteza, as pessoas estão optando por fazer reformas por etapas: altera-se um cômodo e, quanto esse fica pronto, passa-se para outra parte da casa. “As reformas totais continuam ocorrendo, mas em menor escala”, diz. Ainda assim, na avaliação dele, há sinais de melhora, sendo que a expectativa é que o mercado reaja no período pós-eleição. A CNR tem unidades na Capital e região metropolitana e trabalha principalmente com pisos, revestimentos, louças e metais.

Na Santa Cruz Acabamentos, em Belo Horizonte, o chamado consumidor formiguinha também é responsável para reforçar os negócios nessa época. Diretor-geral da empresa, Ronaldo Garcia reforça que as pessoas fazem o possível para preparar a casa para receber os familiares no fim do ano. “Pode ser mudando a iluminação, reformando o banheiro ou pintando a casa”, exemplifica.

Ele afirma que o movimento na loja já melhorou um pouco em relação ao ano passado. Mas considera que há dois fatores fazendo com os que os consumidores esperem um pouco mais para fazer as compras. Um deles é a dicotomia do cenário eleitoral. E há algumas pessoas esperando as promoções de novembro, quando ocorre a black friday. Ainda segundo Garcia, o cenário de instabilidade muda o comportamento do cliente, que está negociando mais o preço e optando por pagar parcelado.

Cozinhas e áreas gourmet – Presidente da Rede 10, Flávio Gomes considera que o cliente formiguinha dá força aos negócios no final do ano ao aproveitar o 13º salário para preparar a casa para o Natal. Ele observa que, com a retração das grandes obras, devido à lenta recuperação econômica, o papel desses consumidores ganha destaque.

A força desses consumidores aparece até no tipo de produto que vem saindo mais. “A venda de produtos básicos, mais usados para dar início a obras, está estável. Já produtos usados nas pequenas expansões e reformas estão em alta”, diz. Segundo ele, reforma de cozinhas e áreas gourmet estão em alta.

Gomes observa que as vendas estão apresentando muita oscilação. Ele acredita que tal cenário está ligado à incerteza política. “A expectativa é que, assim que a eleição passar, a situação melhore”, disse. A Rede 10 conta com 30 lojas no Centro-Oeste de Minas e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Gomes preside a rede e é proprietário da Construbet, com unidades em Betim e outras cidades.