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Após registrar um dos melhores índices de paridade entre os preços do etanol hidratado e da gasolina, julho foi marcado pelo consumo recorde de etanol hidratado em Minas Gerais. De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural (ANP), somente no mês foram comercializados 219,44 milhões de litros de etanol, volume que, além de superar o recorde histórico de consumo estadual, ficou 100,89% maior que o registrado em igual mês do ano anterior.

A tendência é de que a demanda pelo biocombustível continue em alta, principalmente devido aos preços mais acessíveis que os cobrados pela gasolina. No acumulado dos primeiros sete meses de 2018, o consumo de etanol em Minas Gerais já avançou 88,8%, frente igual período anterior.

De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o consumo recorde já era esperado, uma vez que os preços do biocombustível se mantiveram em patamares mais competitivos que os da gasolina, que vem registrando altas consecutivas.

Ao longo de julho, o preço do etanol representou, em média, 63% da cotação da gasolina, o que tornou o uso do biocombustível favorável e estimulou a demanda. Tradicionalmente, abastecer com etanol se torna vantajoso quando a paridade entre os preços fica em 70%. Com os reajustes constantes nos preços do combustível fóssil, a expectativa é de que o consumo de etanol em agosto tenha se mantido em alta. Os valores referentes ao mês passado só serão divulgados pela ANP no final de setembro.

“Julho foi marcado pelo maior consumo de etanol da história do Estado. Ao todo foram 219,44 milhões de litros do biocombustível. Nosso recorde anterior era de outubro de 2015, quando o consumo de etanol hidratado alcançou 205 milhões de litros”, explicou Campos.

O representante da Siamig destaca ainda que os preços mais acessíveis aos consumidores também contribuíram para que a participação do etanol hidratado na frota do Ciclo Otto aumentasse no acumulado do ano. “O etanol alcançou o maior percentual de demanda do Ciclo Otto. Ou seja, 35% da demanda por combustível foi suprida por etanol, índice que nunca tinha superado 30%”.

As expectativas em relação ao consumo de etanol em agosto também são positivas. Ao longo do mês passado, a paridade entre os preços da gasolina e do etanol se manteve favorável ao biocombustível. Nos últimos dias do mês, por exemplo, o valor do etanol chegou a representar 59% do preço cobrado pela gasolina, com o litro avaliado em R$ 2,81, enquanto a gasolina foi negociada a R$ 4,75. Esse fator permitirá que a participação no Ciclo Otto continue elevada.

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Safra – Com a demanda aquecida no mercado, a safra de cana-de-açúcar em Minas Gerais segue mais alcooleira. No encerramento de julho, a moagem estava 4,51% superior à registrada em igual período do ano passado, com o processamento de 34,89 milhões de toneladas de cana. O volume representa 53,68% do volume total previsto para o período, que é de 65 milhões de toneladas.

De acordo com os dados da Siamig, a produção de etanol hidratado, até o fechamento de julho, estava em 1,19 bilhão de litros, alta de 69,11% frente à produção de igual período da safra 2017/18.

Enquanto a produção de etanol hidratado está em alta, a fabricação de etanol anidro ficou 11,02% menor. No acumulado da safra até o final de julho, a produção mineira totalizava 457,9 milhões de litros ou 42,6% do projetado para a safra atual. A produção total de etanol está 35,33% maior e somou 1,65 bilhão de litros até julho.

A produção de açúcar ficou menor. Até julho, a produção estadual acumulava retração de 18,36%, com a fabricação de 1,72 milhão de toneladas. O preço baixo praticado no mercado desestimulou os investimentos no produto. No acumulado do ano safra, 39,23% da cana-de-açúcar esmagada foi destinada ao açúcar, índice que na safra anterior era de 51,53%.