Previsão para 2018 é de que volume de especiais represente 16,2% da safra total de café - Marco Flávio/Divulgação

O Brasil é considerado o maior fornecedor de cafés especiais do mundo. A demanda interna e externa deste tipo de produto é crescente e a nação do café já acompanha em ritmo forte essa tendência mundial, cuja previsão para 2018 é de uma produção nacional de especiais de 9,7 milhões de sacas. Esse volume corresponde a 16,2% da safra total brasileira, que, para 2018, é estimada em 59,9 milhões de sacas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), desempenho que resulta da bienalidade positiva deste ciclo. Os principais compradores do café especial brasileiro são Estados Unidos, alguns países da Europa, como Itália, Bélgica, Reino Unido e Espanha, além do Japão.

Números da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) mostram ainda que o desenvolvimento desse tipo de café aumentou, em média, 15% nos últimos anos, de 5,2 milhões de sacas em 2015, para 8,5 milhões em 2017.
O Brasil, já tido como maior produtor e exportador de café no mundo, é também cada vez mais protagonista no nicho dos especiais, segmento que estará em evidência durante a etapa internacional do Cup of Excellence – Brazil 2018, que será realizado em Guaxupé, no Sul de Minas, de 15 a 21 de outubro.

A Cooxupé e a SMC – Specialty Coffees (empresa controlada pela cooperativa e voltada à comercialização de cafés finos e linha premium) serão as anfitriãs. O concurso é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Auditado pela Agricert Brasil, o Cup Of Excellence é o principal concurso de qualidade para café do mundo, que avalia os grãos naturais (sistema de preparo em via seca) e os cerejas descascados/despolpados (preparados pelo sistema em via úmida) da safra 2018 no País. Para essa fase internacional, foram selecionadas 40 amostras do Natural e 40 do Cereja descascado. Elas serão analisadas por 28 juízes de países como Estados Unidos, Japão, China, Bulgária, Rússia, Austrália, Índia e Alemanha. Participa do concurso o café arábica brasileiro produzido na safra 2018.

No dia 21 de outubro, a partir das 17h, durante solenidade, serão anunciados os produtores de café vencedores das duas categorias. Na fase internacional, os vencedores precisam ter um café com média mínima de 86 pontos ou mais. Os campeões terão direito de participar de leilões organizados pela ACE, com o apoio da BSCA, pela internet, garantindo valores diferenciados para as sacas.[

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Mercado – Segundo a BSCA, alguns fatores explicam o crescimento do consumo de cafés especiais, começando pelo trabalho de estímulo à produção e à capacitação de produtores, que precisam ser diferenciados, assim como a qualificação de baristas e, claro, do próprio desejo de consumidores, que têm buscado cafés de excelência para vivenciar uma experiência gustativa diferente, proporcionada por grãos que possuem atributos sensoriais perfeitos, com corpo e acidez equilibrados.

Ao longo da safra, a produção de cafés especiais é praticamente toda comercializada, sendo 90% dela destinada à exportação e 10% ao consumo interno. Em 2017, 7,7 milhões de sacas foram remetidas ao exterior. Para este ano, projeta-se sequência de crescimento, com os embarques se aproximando de 9 milhões de sacas.

A maior predominância na forma de consumo dos cafés especiais ainda é em grãos, o que representa entre 40 e 50% do volume total de venda. (Com informações da Cooxupé)