Créditos: Gil Leonardi /Agência Minas

JOSÉ ELOY DOS SANTOS CARDOSO *

Por mais crises financeiras que estados, países ou municípios enfrentem, por mais descasos que os governos anteriores tinham feito, por mais sucateamentos que a máquina do governo tenha enfrentado, o governo de Minas Gerais está enfrentando obstáculos e problemas entre ainda ficar de pé ou cortar despesas.

Não existem mágicas. Para tirar Minas do grande abismo ou buraco fiscal que está existindo na atualidade mineira, o governo Romeu Zema terá que cortar obrigatoriamente despesas até importantes sem, entretanto, ter que cortar aquelas referentes aos setores de saúde pública. Despesas com educação são importantíssimas mas, dentre outras prioridades, existem as insubstituíveis como médicos, enfermeiras, hospitais e outros setores de saúde.

Nas administrações tanto públicas quanto privadas não existem mágicas. Ou se aumentam receitas ou se cortam despesas. Mesmo enfrentando protestos de servidores contratados como os da Administração e Serviços (MGS), Zema está tendo que cortar despesas desagradáveis e impopulares (redução do ensino integral e demissões), porque não estão sendo encontrados outros meios urgentes para se arrecadar mais.

O total de despesas do governo é maior do que as receitas e, a curtíssimo prazo, é impossível se aumentar a arrecadação. Não existem outras garantias reais, mas, pode ser que em médio prazo, o governo consiga alternativas para aumentar a receita, mas, em curtíssimo prazo, é necessário e urgente se fazer a escolha de qual despesa é possível se cortar de imediato.

Protestos de servidores da educação estão sendo feitos, mas, como eles fariam para resolver o problema da falta de dinheiro? Se ficassem ser receber salários nos dias certos seria bem pior. Como demitir servidores concursados que foram admitidos não é possível, a resposta de imediato foi reduzir despesas como a redução do ensino integral no Estado. Dos 111 mil estudantes do ensino integral sobrarão apenas 31 mil. Como atualmente 1.600 unidades oferecem o ensino integral, sobrarão só 500.

É papel do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute) fazer protestos e reclamações. Entretanto, os sindicatos não possuem mágicas, artifícios ou meios reais de aumentar a arrecadação pública e o problema fica quase insolúvel em curto prazo. O choro é livre, mas, os sindicatos não são capazes de solucionar os problemas públicos e a falta de dinheiro. Dizer que “na educação não se aceita liquidação”, é fácil.

O atual desemprego aberto de 13,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada ainda é muito grave no Brasil e os governos federal, dos estados e municípios não estão encontrando imediatamente a solução para isso. Só o aumento do nível do produto interno bruto (PIB) poderá amenizar e solucionar os problemas de desemprego.

O desemprego total do produto potencial interno bruto, se contarmos aqueles que tiraram diplomas, mas não estão encontrando emprego, aqueles que desistiram de procurar trabalho, os desempregos de máquinas e equipamentos industriais, as obras civis das indústrias que não estão sendo utilizadas, o desemprego de intelectuais e técnicos, o desemprego potencial brasileiro superaria facilmente a casa de 25%. Por isso continuamos a falar que “cortar na saúde, nem pensar”!

Com a viagem do governador Romeu Zema aos Estados Unidos, o problema político caiu no colo do vice-governador Paulo Brant que é competente, mas não tem a varinha mágica para solucionar os graves problemas mineiros em curto prazo.

Ele busca alternativas como estreitar diálogos com o setor privado e seguir caminho semelhante no campo político. Para isso, busca apoios no Senado, na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Para ele, governar é fazer política o tempo todo.

Acredito que ele também pense que privatizar uma empresa rentável como a Cemig não é a solução e, talvez, a maioria dos economistas mineiros pensam da mesma forma. Como alterar a famosa Lei Kandir não será muito fácil, Minas Gerais continua com este pepino sem facas afiadas para cortá-lo.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista.