A cotação da tonelada do minério de ferro no mercado spot subiu ontem cerca de 6,3% e os preços chegaram a bater na casa dos US$ 75 a tonelada. Para o analista de Mineração e Siderurgia da Tendências Consultoria Integrada, Felipe Beraldi, ainda é cedo para se tirar qualquer conclusão sobre os preços do insumo.

“Até porque as informações sobre o impacto ainda não estão claras. Porém, é evidente que (o desastre) pode acarretar na volatilidade de preços. Os preços voltaram para a casa dos US$ 75, mas é cedo para tirar conclusões se isso é um movimento especulativo ou se já pode ser resultado da queda da oferta”, explicou.

As ações da Vale na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) caíram cerca de 24% só ontem, o que acarretou em uma perda de valor de mercado da ordem de R$ 70 bilhões. Além disso, o bloqueio, pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e pelo Estado de Minas Gerais, em decorrência do rompimento da barragem, de R$ 11 bilhões, somado às multas lavradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de R$ 250 milhões, e de aproximadamente R$ 99 milhões pelo governo de Minas, representam cerca de 48% do caixa da mineradora, anunciado em torno de US$ 6,1 bilhões pela companhia no final do terceiro trimestre de 2018.

O governo de Minas informou que a Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE) confirmou o depósito feito pela empresa Vale, ontem, no valor de R$ 1 bilhão, à conta do Estado de Minas Gerais. O valor assegura, em um primeiro momento, recursos mínimos necessários para fazer face às despesas que já foram, vem sendo e ainda serão realizadas na adoção das medidas que se impõem em razão do rompimento da barragem.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já determinou a liberação do valor, que será destinado ao amparo imediato às vítimas, redução das consequências e do prejuízo ambiental. Os demais pedidos veiculados na ação movida pelo Estado de Minas ainda aguardam a apreciação pelo juízo competente.

Rebaixamento – A companhia já comunicou que suspendeu o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio para acionistas e também o pagamento de remuneração variável (bônus) aos executivos. Na esteira, a agência global de classificação de risco Standard & Poor’s colocou o rating da Vale em observação para um possível rebaixamento. Outra agência de classificação de risco, a Fitch, rebaixou a nota de crédito da Vale de BBB+ para BBB-.

Os reflexos do desastre não param por aí. A ponte da linha férrea dentro do complexo foi destruída pela onda de lama. A estrutura e as linhas de trem dentro da mina, como o trecho da ponte destruída, são operadas e de responsabilidade da própria Vale, mas são conectadas ao ramal ferroviário da MRS Logística. A concessionária informou que teve perda de material rodante (vagões e locomotivas), mas que ainda precisa de tempo para mensurar essas perdas e até mesmo saber a real situação do material envolvido. (LF)