O importante é que a gestão seja profissionalizada, afirma Galvão - Leandro Perez

O duro golpe que a economia brasileira vem sofrendo desde 2014, fez com que muitas empresas corressem para revisar processos e ajustar a gestão em busca de melhores resultados. Se, de um lado, vender se tornava um desafio cada vez maior, de outro, a saída era reduzir custos e reduzir margens. A tarefa, entretanto, exige calma e conhecimentos nem sempre disponíveis dentro das empresas. Essa realidade fez com que o trabalho das consultorias se tornasse cada vez mais importante.

Há 20 anos no mercado, a consultoria financeira Ceres Inteligência viu o número de clientes de médio e grande portes crescer. De acordo com o diretor-presidente da Ceres Inteligência, Alexandre Galvão, empresas que estavam minimamente organizadas quando a crise começou conseguiram mexer nas estruturas e estabelecer um modo de resistir à crise.

“O grande problema das empresas brasileiras é a produtividade. A crise fez com que tivessem que buscar mais eficiência e para isso tiveram que se reestruturar, reduzindo margens, repensando modelos e até saindo de determinados negócios. As empresas precisam ter o mínimo de organização em um país como o Brasil, de economia ainda bastante instável. É aí que entramos, nessa organização, na estruturação”, explica Galvão.

A Ceres oferece atendimento personalizado em serviços e soluções como: estruturação de empresas, estudos para a implantação de novos negócios, avaliação de risco, composição de cenários, coordenação e estruturação de grandes operações de fusão/aquisição, área regulatória, entre outros.

“Sempre tivemos um perfil técnico ao qual outras habilidades foram se somando. Trabalhamos hoje com grandes e médias empresas e grandes projetos. Começamos com avaliação de riscos, avaliação de projetos e diagnósticos econômicos. Entramos no campo da negociação, das estratégias, ampliando o nosso olhar sobre os negócios, apoiando processos de fusão e aquisição. Também atuamos na estruturação de fundos e no mapeamento de ativos para processos de privatização”, enumera o também professor da Fundação Dom Cabral (FDC) Alexandre Galvão.

Com uma economia baseada na mineração e agronegócios de um lado, e de empresas familiares de outro, o Estado cria uma cultura empresarial peculiar e bastante conservadora. Se essa característica impõe um ritmo próprio de trabalho, dá ao setor de serviços mineiro, incluindo as consultorias, uma grande credibilidade junto ao mercado nacional.

A Ceres, por exemplo, tem entre seus clientes Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Light (companhia responsável pela distribuição de energia elétrica na cidade do Rio de Janeiro), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco Mercantil e Furnas.

“O mineiro é um pouco mais conservador que os paulistas, por exemplo. Ele corre menos riscos, gosta de ativos físicos, por exemplo. Essa é uma questão cultural que talvez mereça ser trabalhada. O mercado vem exigindo mais flexibilidade. A questão familiar é outro ponto que merece ser avaliado. O importante é que a gestão seja profissionalizada, trabalhar a governança, pensar na composição societária. A empresa precisa se preparar para a sucessão e atuamos nesses casos também. O que percebo é que temos como parte da nossa cultura uma preocupação com a formação, e isso nos leva a oferecer produtos e soluções de grande assertividade. Isso eleva a capacidade das empresas mineiras exportarem serviços”, avalia.