A expectativa dos organizadores do Carnaval é que até 200 mil turistas desembarquem em Belo Horizonte a partir de sábado - Foto: Acervo Belotur

A crise econômica que insiste em penalizar a população brasileira em 2019, tira o brilho também da mais famosa entre as festas nacionais: o Carnaval.

Cidades de diferentes portes e com festas tradicionais vão deixar de fazer a festa ou cortar drasticamente o orçamento. Além da crise nacional, os municípios mineiros também sofrem com os seguidos atrasos nos repasses do governo do Estado.

Viçosa, na Zona da Mata, com 78 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2018, foi uma das primeiras a anunciar a desistência, ainda no início de janeiro. Em nota divulgada e disponível no site da Prefeitura a justificativa: “A decisão foi em decorrência da situação financeira que atinge os municípios mineiros, resultante da falta de recursos devidos e não repassados pelo governo de

Minas na gestão passada e que ainda persiste na atual gestão.
Em virtude da dívida do governo de Minas com a Prefeitura de Viçosa, que já ultrapassa o montante de R$ 23 milhões, o prefeito Ângelo Chequer assinou, em 31 de outubro do ano passado, o Decreto nº 5254/2018, que declarou Estado de Emergência Financeira pelo prazo de 120 dias, estabelecendo limites de despesas e suspendendo algumas atividades que poderiam onerar os cofres públicos”, informa a nota.

Em Elói Mendes, no Sul de Minas, com 28 mil habitantes, o problema é o mesmo e a promessa, a exemplo de 2018, é investir o dinheiro em setores prioritários. No ano passado, o agraciado foi o setor da saúde – ampliação e melhorias do Hospital Nossa Senhora da Piedade. Este ano, a promessa é de que os recursos da ordem de R$ 120 mil sejam direcionados ao esporte.

Leia também:

Comemorações já começaram em BH

País tem destinos além dos tradicionais

Parcerias – Outras cidades tradicionais fizeram cortes significativos no orçamento dedicado à festa. Muitas delas buscam apoio na iniciativa privada e querem promover festas “à moda antiga”, valorizando artistas locais, blocos de rua, criando um clima familiar e que exija pouca estrutura.

Há alguns anos, a histórica Mariana, na região Central, vem traçando esse caminho. Brasília de Minas, no Norte de Minas, abriu um edital para a exploração do Carnaval por uma empresa particular. A estimativa é de que sejam investidos mais de R$ 300 mil na folia, que terá um dia com ingressos pagos.

De acordo com o secretário Municipal de Cultura e Juventude, Ricardo Simões, a importância do evento, que costuma atrair muitos turistas para a cidade de pouco mais de 32 mil habitantes, vale o esforço. “Licitamos uma empresa que pudesse investir e explorar o Carnaval, já que a prefeitura, assim como muitos outras em Minas Gerais, está com um grave problema de caixa pela falta de repasses. Assim, criamos um dia com atrações nacionais em que será cobrado ingresso. Nos demais, teremos artistas locais e desfile dos blocos caricatos com acesso livre”, explica Simões.

Juiz de Fora, na Zona da Mata; e Poços de Caldas, no Sul de Minas, vão cortar no apoio ao desfile das escolas se samba. Juiz de Fora, mesmo tendo aprovado projeto junto à Lei Rouanet, não conseguiu viabilizar o desfile.

Mesmo com o orçamento muito apertado, Ubá, também na Zona da Mata, vai retomar os desfiles das escolas de samba depois de 15 anos. A promessa é de um corte de 40% sobre o investido em 2018. Além das escolas de samba, a programação inclui o desfile dos tradicionais blocos de rua.