São Paulo – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ainda tem mais de R$ 3 bilhões, de um total de R$ 5 bilhões, para levantar este ano por meio de venda de ativos e operações financeiras, em uma estratégia para reduzir o nível de endividamento do grupo de siderurgia e mineração.

Além dos recursos, o plano da CSN para reduzir até o fim do ano sua alavancagem para três vezes dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) inclui expectativas de crescimento da demanda por aço no Brasil. Esse quadro, inclusive, motivou o grupo a anunciar nesta semana alta de 10% a 15% em seus preços de aços vendidos no mercado doméstico a partir de 25 de março.

“Nosso compromisso de desalavancagem vai ser alcançado. Esses R$ 3 bilhões vão ser viabilizados de alguma forma, seja via operação financeira ou venda de ativos ou ambos”, disse o presidente-executivo da CSN, Benajmin Steinbruch, em teleconferência com analistas.

“E com melhores volumes (de vendas de aço e minério de ferro) tenho a certeza que vamos surpreender com a entrega daquilo que nos foi desafiado pelo mercado, ou seja, nos aproximar de 2,5 vezes” a dívida líquida sobre Ebitda, afirmou o executivo, apesar da meta oficial da CSN ser de três vezes.

A empresa, que alguns anos atrás atingiu um arriscado nível de alavancagem de 8,5 vezes, vem desde então renegociando dívidas, vendendo ativos e investido em melhora de suas operações. A companhia terminou 2018 com uma relação de dívida de 4,55 vezes, depois de vender usinas nos Estados Unidos e renegociar débitos junto ao Banco do Brasil e Caixa.

Segundo o diretor financeiro, Marcelo Ribeiro, os ativos que estão na mira de venda da CSN neste ano incluem a usina alemã SWT, que está em fase de propostas vinculantes, uma negociação de venda antecipada de minério de ferro (streaming) e as ações preferenciais que detém da rival Usiminas.

“Neste universo de opções, podemos levantar R$ 3 bilhões para alcançarmos a meta de 3 vezes”, disse Ribeiro, sem dar detalhes sobre quais operações a CSN vai efetivamente realizar para cumprir o objetivo.

Na véspera, a CSN anunciou contrato com a Glencore para um contrato de cinco anos de fornecimento de 22 milhões de toneladas de minério de ferro, avaliado em US$ 500 milhões.

Operacional – Diante das expectativas de retomada da economia, a CSN espera elevar suas vendas de aço este ano em pelo menos 10% no Brasil, após alta de 17% em 2018, disse o diretor comercial, Luis Fernando Martinez. Para isso, a empresa pretende redirecionar ao mercado interno parte de suas exportações disse o executivo.

Depois de ver um arrefecimento na demanda por aço no início do ano, Martinez avalia que uma recuperação deve começar a aparecer após o Carnaval. “O setor automotivo continua esperando 10% de crescimento em 2019…o segmento de bens de capital espera alta de 5% a 7% e a construção civil aguarda 2% a 3%”, disse Martinez.

Ao comentar a decisão de reajuste de preços de aço no fim de março, após um aumento de 6% a 8% em janeiro, Martinez afirmou que o setor siderúrgico vive atualmente com preços no mercado interno abaixo do nível internacional. O chamado “prêmio”, segundo o executivo, está negativo em 7% a 12% entre os distribuidores de aço plano no País.

Balanço – Em 2018, a CSN registrou lucro líquido de R$ 5,2 bilhões, contra resultado positivo de R$ 11 milhões no exercício anterior. Somente no quarto trimestre o resultado somou R$ 1,77 bilhão, 370% maior do que o obtido em igual etapa de 2017.

O desempenho operacional da companhia medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 1,56 bilhão no quarto trimestre, um aumento de 30% sobre um ano antes. A margem Ebitda ajustada atingiu 24,7%, alta de 1,7 ponto percentual ano a ano, mas queda de 0,5 ponto na base sequencial.