Crédito: Ivan Bueno/ AG. Paraná

Benjamin Salles Duarte *

O comércio e a troca de mercadorias por vias internas entre os povos e continentes da Terra existem há milênios, inclusive e através também das memoráveis rotas da navegação marítima à busca secular por “novas terras” para conquistar mercados, sua gente, etnias, culturas, riquezas acima e abaixo do solo, ampliar a expansão geográfica e o poder de decisão, e até estabelecer o domínio sobre conquistados ao longo de breves ou longos anos. O domínio britânico sobre a Índia durou de 1858 até 1947, e o Brasil Colônia de Portugal foi de 1500 a 1815 ou 315 anos!

A história está ricamente documentada sobre esses fatos econômicos, sociais, consequentes da interação entre grupos sociais diversos, com seus hábitos, crenças e costumes, bem como avançando nos cenários políticos, e suas vertentes ideológicas! Entretanto, as tecnologias de comunicação e os ganhos nos sistemas de transportes também romperam antigas distâncias geográficas e estão conectando mais as economias mundiais nesse viger do século XXI, e quem compra quer vender! A agricultura familiar não escapará às regras do mercado interno.

A disputa comercial entre os EUA e a China, com um PIB somado de US$ 35,4 bilhões-2018, está contaminando as economias dos países ricos, pobres e remediados, e contribuindo para acelerar até o movimento sensível e pendular das bolsas de valores, pois a conectividade dos mercados transcende fronteiras!

A economia, sem outras abordagens pertinentes e indissociáveis, move o mundo, porém, que haja justa distribuição da renda per capita, que aquece também as economias regionais e promove a qualidade de vida! Mas não há como subestimar os poderosos conflitos de interesses em torno de trilhões de dólares anuais que circulam nesse planeta Terra no acessar aos alimentos, produtos, serviços e às inovações tecnológicas.

Noutra vertente, um exemplo emblemático foi a “Rota da Seda”, havida desde o século IV aC., cujo nome foi cravado no século XIX pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen, e reunia um sistema de rotas comerciais dinâmicas e interligadas desde o continente asiático ao continente europeu, e a seda chinesa, então única no mundo, se revelou um dos produtos mais importantes, pois era cobiçada também por homens e mulheres como artigo de luxo, inclusive na Roma antiga. Analistas presumem que a China poderá recriar a “Rota da Seda” nos cenários do século XXI. A conferir essa hipótese, instigante!

O pesquisador Eliseu Alves, da Embrapa, diz sobre a globalização: “O conceito e a prática da globalização significam reconhecer que os mercados caminham para ser globais, e que isto é indispensável para o comércio, todos ganham, e sendo bom para a paz! Essa globalização convoca os países para eliminarem as restrições ao comércio internacional, e a lutarem, sem tréguas, para que essas condicionantes estratégicas internacionais ocorram numa perspectiva de tempo.”

O Brasil participa apenas com 1,2% do mercado global, exportações e importações (OMC-2017), portanto, fechado, e consolidou um PIB de R$ 6,8 trilhões em 2018, a preços correntes (IBGE), ou US$ 1,86 trilhão; o dólar médio comercial de R$ 3,654. O Brasil é o 3º produtor mundial de alimentos!

Associando-se sistematicamente mercados, pesquisa de ponta, adoção de inovações compartilhadas nos desdobramentos dos sistemas agroalimentares, empreendedorismo rural, políticas públicas, logísticas operacionais (rodovias, ferrovias, hidrovias e portos) eficientes, e parcerias internacionais negociadas, no que couber e assegurar, o Brasil reúne condições e oportunidades para competir nos mercados globais, além do abastecimento interno! No mundo dos negócios, é preciso decifrar os mercados.

*Engenheiro agrônomo