Maior parte dos empréstimos do BDMG é referente a linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo DC

Destinados principalmente à agropecuária, às pequenas e micro empresas (MPEs) e ao setor público, os desembolsos do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tiveram incremento de 13% no primeiro quadrimestre deste ano em relação a igual período do ano passado, chegando a R$ 372 milhões. Gerente de análises e estudos do Planejamento do BDMG, Alexandre Navarro informa que, mesmo no cenário de retomada lenta da economia, está havendo a demanda por crédito, sendo que o BDMG vem trabalhando para auxiliar os empreendedores.

A maior parte dos desembolsos – R$ 142 milhões – é referente a linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tiveram alta de 41%. Em seguida, estão as linhas para produtos rurais, advindos de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA); com alta de 76%, atingiram R$ 60 milhões. Ainda no segmento agropecuário, o Funcafé mostrou estabilidade, ficando em R$ 50,6 milhões este ano, contra R$ 50,4 milhões em 2018.

Por meio do BDMG Digital, o apoio às micro e pequenas empresas (MPEs) aumentou 14%, chegando a R$ 54,3 milhões. O setor público ficou com R$ 36,4 milhões, com crescimento de 107%. Esses foram os principais segmentos atendidos no quadrimestre.

Com os desembolsos realizados entre janeiro e abril, segundo acompanhamento feito pelo BDMG, a projeção é de impacto na economia mineira de R$ 434 milhões, com expectativa de geração de R$ 18 milhões em ICMS. A estimativa é que foram impulsionados 10 mil empregos, sendo 3 mil no setor agropecuário, 1,6 mil no comércio e 1 mil na construção civil, com os demais sendo diluídos em outros segmentos.

A metodologia para se estimar os impactos dos desembolsos feitos pelo BDMG na economia mineira foi desenvolvida pela Fundação João Pinheiro e vem sendo adotada desde 2016. Por meio da análise, é possível detectar como os empréstimos estão tendo efeitos sobre empregos, remuneração, produção e geração de impostos.

De acordo com o banco, neste quadrimestre, foram atendidos 2 mil clientes, entre empresas e setor público. O BDMG atua em 86% das cidades mineiras.

Analista de Desenvolvimento do BDMG, Adriano Porto explica que, dentro do planejamento estratégico do BDMG, o setor agropecuário é considerado prioritário pelo peso que a atividade tem na economia do Estado.

Demanda contínua – Ele explica ainda que a melhora registrada na economia no final do ano passado também impacta nos resultados de agora.

“Mesmo no momento de crise, há demanda de crédito para redefinição de negócios, investimentos e capital de giro. Assim, o banco encontra espaço para atuar”, diz. Porto também considera que a dinâmica no Estado estaria mais positiva se não fossem os efeitos negativos do desastre da Vale em Brumadinho.

Para este ano, além das linhas de crédito já citadas, os programas que devem ter destaque são do Fundo de Desenvolvimento do Turismo (Fundetur); os do Desenvolve Rio Doce, voltados a empresas na área atingida pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, na região Central; e os de inovação, em conjunto com Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Outro importante financiamento, já disponibilizado, é o destinado a prefeituras mineiras. A linha, no valor de R$ 200 milhões, foi anunciada pelo BDMG no último dia 13 e é voltada para financiamento de projetos que contribuam para o desenvolvimento econômico. A medida faz frente à crítica situação financeira dos municípios e objetiva auxiliar a retomada econômica de Minas.