Na comparação com dezembro, o último mês teve um aumento de 10,2 pontos no indicador de produção industrial - CRÉDITO: ALISSON J. SILVA - FOTOS FIAT-FCA Usada em 25-02-19

Embora a indústria mineira tenha começado o ano com índices de produção, emprego e utilização da capacidade instalada abaixo do usual, o setor produtivo registrou recordes de desempenho em janeiro, quando comparado com dezembro ou até mesmo os anos anteriores. Os números podem ser atribuídos à combinação de base fraca de comparação com a retomada gradual da economia brasileira.

A avaliação é da economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Muniz. Segundo ela, apesar de a maioria dos resultados apurados pela Sondagem Industrial ter ficado abaixo dos 50 pontos, indicando recuo, a análise geral é positiva.

“Tanto a produção quanto o emprego e a utilização da capacidade instalada apresentaram recordes em janeiro. Temos alguns períodos que podem ser considerados bases fracas, mas o cenário de inflação e juros baixos também colaborou para o desempenho”, explicou.

De acordo com o levantamento, o índice de evolução da produção de janeiro chegou a 49,2 pontos, número abaixo da linha de 50 pontos, indicando recuo. A queda na produção industrial, conforme a economista, já era esperada devido ao fim das encomendas de final de ano. De qualquer maneira, segundo ela, vale ressaltar que o indicador foi 10,2 pontos maior do que o verificado em dezembro (39 pontos) e 1,2 ponto acima do apurado em janeiro do ano passado (48 pontos).

“Além disso, o índice foi o melhor para o mês desde 2010, quando chegou a 49,6 pontos. Isso significa que o recuo da produção foi o menos intenso nos últimos nove anos”, ressaltou.

Da mesma forma, o indicador de evolução de emprego mostrou queda, com 48,7 pontos no primeiro mês de 2019. Porém, o índice foi superior aos registrados em dezembro (46,4 pontos) e janeiro de 2018 (48,2 pontos). O resultado foi, ainda, o mais elevado para o mês desde o início da série histórica, apontando que a queda no emprego foi a menos intensa entre 2011 e 2018.

Já o índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual registrou 43,1 pontos. Mesmo ficando abaixo dos 50 pontos, a ociosidade das indústrias já foi maior, uma vez que o índice cresceu 1,8 ponto em relação a dezembro e foi o mais elevado para janeiro em oito anos.
Os estoques de produtos finais das empresas ficaram relativamente estáveis no primeiro mês do ano com 49,7 pontos. Além disso, as empresas encerraram janeiro com o nível de estoques ajustado, uma vez que o índice de estoque efetivo em relação ao planejado chegou a 50,2 pontos.

Próximos meses – Em relação às expectativas da indústria para os próximos meses, Daniela Muniz chamou atenção para os resultados um pouco melhores, indicando a perspectiva favorável dos empresários em relação ao aumento da demanda, à continuidade da melhora da economia e à aprovação das reformas estruturais.

“Os empresários esperam crescimento da demanda por seus produtos nos próximos seis meses, conforme índice de 61,3 pontos em fevereiro. Acompanhando a perspectiva de aumento da demanda, eles esperam também a evolução das compras de matérias-primas (59,5 pontos). Vale destacar que este indicador foi o melhor para o mês em nove anos”, citou.

Já o índice que avalia as expectativas dos industriais com relação à evolução do emprego marcou 53,9 pontos. Neste caso, o resultado foi o maior para o mês desde o início da série histórica (2011). A última vez que o índice havia revelado perspectiva de aumento foi em 2013.
Por fim, o índice de intenção de investimentos também foi o maior da série para o período, chegando a 57,7 pontos em fevereiro.