O Seminário Cidades e Destinos Turísticos Inteligentes, destinado a todos os agentes da cadeia produtiva turística e tecnológica, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), através da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), entrou, na sexta-feira, no seu segundo e último dia com a expectativa de descobrir como uma cidade pode se transformar em um destino inteligente. A pauta, voltada para todos os agentes da cadeia produtiva turística e tecnológica, propôs o debate de políticas públicas e iniciativas de mercado voltadas para o tema.

A coordenadora do curso de Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Danielle Machado, mediou o painel “Destinos Turísticos Inteligentes”, que contou com a participação do cofundador e CEO da MaxMilhas, Max Oliveira, do diretor de Planejamento do Grupo José Cuervo, Tequila/México, Federico de Arteaga Vidiella, a analista da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, Germana Magalhães, e o sócio e um dos fundadores do blog especializado em viagens 360 Meridianos, Rafael Sette Camara.

“Fiquei muito satisfeita com a composição dessa mesa. Quando falamos de destinos inteligentes, a principal referência é a Espanha, mas queríamos trazer realidades mais próximas a nós. Tem muita coisa sendo feita na América Latina, que tem uma realidade muito mais parecida com a nossa do que a Espanha. Essa mesa também mostra a importância do diálogo, aqui estão representados diversos setores. Belo Horizonte tem um ambiente positivo para o desenvolvimento de uma cidade e um destino inteligente. A presença dessas pessoas mostra essa condição”, explica Danielle Machado.

Relação – Para o presidente da Belotur, Aluizer Malab, a base das cidades inteligentes é a melhoria da relação com a população. O mais importante não é a adoção do título “cidade inteligente”. “Existe uma relação com a tecnologia, mas o que discutimos aqui é o conceito. Existem alguns estágios dessa inteligência e a partir do momento que ela interfere e melhora a vida do cidadão, ela apresenta a inovação. Mas tem coisas que são analógicas e que são tão inovadoras quanto. O mais importante é ter um conceito, um projeto que permita as decisões nesse sentido”, analisa Malab.

Os modelos de negócios baseados na experiência das pessoas crescem nesse novo mercado em que os dados são transformados em inteligência. O blog 360 Meridianos parte do princípio de que as pessoas querem ouvir histórias. “As pessoas pedem dicas de outros viajantes e quando identificam perfis parecidos acabam seguindo aquilo que já deu certo. Isso exige de nós responsabilidade porque a credibilidade está na base do nosso negócio”, avalia Sette Câmara.

Mas nem tudo é fácil. As ações inovadoras ainda não são bem compreendidas por todos atores da cadeia produtiva. “O nosso maior desafio é fazer com que os destinos se organizem e gerem ações inovadoras. Criar ambientes de negócios para essas empresas”, aponta Germana Magalhães.

Danielle Machado também conduziu, na parte da tarde, um workshop sobre o tema “o e-turismo e a inovação no marketing de destinos turísticos inteligentes”. A prática teve como objetivo mostrar a tecnologia como uma contribuinte da inovação e a importância das mídias sociais para o turismo. “Nem sempre uma inovação é tecnológica, pode ser uma mudança no processo, por exemplo. É importante pensar que no mundo de dados que vivemos hoje, precisamos transformá-los em inteligência”, pontua a professora.