O tíquete médio na Brinkel foi de R$ 120 com opção pelo cartão de crédito na hora do pagamento - CRÉDITO:ALISSON J. SILVA

Os resultados do Dia das Crianças no comércio de Belo Horizonte não foram satisfatórios. Algumas lojas de brinquedos apresentaram queda nas vendas de 10% a 30% em relação ao ano passado. E, quando houve empate no comparativo, o desempenho foi considerado positivo. Entre as causas apontadas para o resultado estão o período eleitoral, alto índice de desemprego, aperto na renda do consumidor e até o fato de a data ter caído na sexta-feira, levando muitas pessoas a viajarem.

Na Brinkel, tradicional loja de brinquedos no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de Belo Horizonte, as vendas empataram com as do ano passado. Segundo o proprietário, Altair Rezende, o resultado ficou dentro da expectativa e foi considerado positivo devido ao cenário do País. Para o período, foram contratados 15 funcionários temporários.

“O pessoal está tão focado nas eleições que se esqueceu de comprar brinquedo. As pessoas estão apreensivas”, comentou o comerciante, apontando o período eleitoral como uma das causas de os resultados não terem sido melhores. Além disso, ele citou o alto índice de desemprego, o que interfere na renda das famílias.

O tíquete médio na loja foi de R$ 120, com a maior parte – cerca de 60% – dos consumidores utilizando o cartão de crédito parcelado como forma de pagamento. Este ano foi concluída a reforma da loja e, segundo Rezende, a ação objetivou fidelizar a clientela. Nesse caso, a medida pode ter ajudado no sentido de evitar quedas nas vendas. “Agora é esperar o Natal: com entusiasmo, mas sem grande otimismo”, diz Rezende.

Na loja Estripulia do Shopping Del Rey, na região Noroeste, o movimento caiu cerca de 10% neste ano no comparativo com igual período de 2017. Segundo a gerente Elizangela de Oliveira, tal resultado é atribuído ao cenário de instabilidade política e econômica. O tíquete médio na loja durante o período do Dia das Crianças foi de R$ 150, tendo havido a contratação de cinco temporários.

A principal forma de pagamento foi o cartão de crédito parcelado. A intenção da loja era realizar o parcelamento de compras com valor a partir de R$ 50, mas, para enfrentar a concorrência, precisou baixar o valor para R$ 30. “Esperamos que no Natal o cenário esteja mais favorável”, diz Elizangela.

Pesquisa de preços – Com unidade no centro da Capital, a Brinkare registrou queda de cerca de 30% no movimento em relação ao ano passado. Segundo a gerente Rosimar de Souza, as vendas foram mais significativas, com registro de filas, apenas no dia 11. Nos anos anteriores, a alta procura dos consumidores começava pelo menos dois dias antes. Para o período, o comércio contratou 13 trabalhadores temporários.

Segundo a gerente, os consumidores estavam atentos aos preços e fazendo pesquisas. Ela disse ainda que o movimento de trocas de presentes acaba ajudando os resultados, pois muitas vezes a pessoa leva um produto de preço mais elevado. A maioria dos clientes da loja optou em pagar com cartão de crédito parcelado.

A loja Big Z, no bairro Buritis, região Oeste, registrou estabilidade nas vendas em relação ao ano passado. A gerente Fernanda Figueiredo relata que o resultado surpreendeu positivamente. Mas ela pondera que o fato de o feriado este ano ter caído na sexta-feira pode ter influenciado negativamente nas vendas, pois muita gente aproveitou para viajar. No ano passado, o dia 12 foi na quinta-feira. O tíquete médio, segundo ela, depende para quem vai o presente: se for para o sobrinho ou afilhado, gira em torno de R$ 50. Mas, se é para o filho, o preço sobe até por volta de R$ 200. A loja contratou três funcionários como efetivos, já pensando no final de ano e volta às aulas.

Expectativas frustradas – Segundo estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), divulgada no final de setembro, a expectativa era de alta de 1,83% nas vendas no Dia das Crianças deste ano em relação a igual período de 2017. Segundo a entidade, a previsão era de que a data comemorativa, uma das principais do segundo semestre, injetasse na economia cerca de R$ 2,22 bilhões no comércio da Capital.