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As mudanças na política de preços do diesel por parte da Petrobras, que passará a reajustar o combustível nas refinarias com intervalos mínimos de 15 dias, atendem a antigo pleito do setor de transportes de cargas do País.

Desde o início do ano, quando teve fim o programa de subsídios lançado pelo governo após a greve dos caminhoneiros, a petroleira vinha reajustando o combustível em intervalos menores

Somente em março, foram anunciados seis reajustes no preço do combustível, sendo quatro aumentos e duas reduções. No ano, o preço médio do diesel nas refinarias acumula alta de 18,48% e, neste mês, o preço atingiu o maior nível desde setembro de 2018, em meio a reajustes da companhia que acompanham a alta do petróleo e o câmbio.

No ano passado, altos preços do diesel levaram a uma greve histórica de caminhoneiros que praticamente paralisou o Brasil e obrigou o governo a negociar um subsídio ao combustível. Coincidência ou não, na última semana, começaram a circular pelas redes sociais, mensagens de que a classe estaria se organizando para um novo movimento.

O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas e Bens do Estado de Minas Gerais (Fetac-MG), Antônio Reis, não confirmou a informação. Mas disse que as negociações acerca do preço do diesel ocorrem há tempos e a nova política da Petrobras chega num bom momento.

“Acreditamos que o novo governo esteja avaliando uma por uma das reivindicações. Uma delas, com certeza, dizia respeito aos preços dos combustíveis, pois a greve passada trouxe muitos prejuízos a toda nação – embora tenha sido necessária e resultante em boas conquistas para o setor. A grande oscilação e patamares elevados dos preços acabam inviabilizando o transporte de cargas no País”, argumentou.

Da mesma maneira, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Lobato, lembrou que representantes do setor estiveram com integrantes da petrolífera e do governo pelo menos três vezes nos últimos meses. Em todas as ocasiões, o preço do diesel esteve na pauta.

“Nossa intenção era que a política de reajuste fosse mais espaçada. Do jeito que vinha sendo feita, mal reajustavam os preços nas bombas já anunciam nova elevação nas refinarias”, comentou.

Para Lobato, as mudanças anunciadas ontem (26) pela estatal indicam o início de um diálogo com o setor. “Já é um pouco do que pedimos”, completou.

No mesmo dia em que anunciou a mudança na política de preços, a Petrobras informou também que sua subsidiária Petrobras Distribuidora S.A. (BR) está desenvolvendo para implantação num período de 90 dias cartão de pagamentos que viabilizará a compra por caminhoneiros de litros de diesel a preço fixo nos postos com a bandeira BR.

Segundo a companhia, o cartão servirá como uma opção de proteção da volatilidade de preços, garantindo assim a estabilidade durante a realização de viagens.

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Aumentos – No decorrer deste mês, a Petrobras anunciou altas consecutivas não somente para o diesel, mas para os demais combustíveis em todo o País. Os aumentos de preços praticados pelas distribuidoras foram acompanhados pelos postos de combustíveis de Minas Gerais

De acordo com o Levantamento de Preços e de Margens de Comercialização de Combustíveis (LPMCC) realizados semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), de fevereiro para março, a gasolina sofreu aumento de 3,32% nas distribuidoras, passando de R$ 4,096 para R$ 4,232 o litro.

Nos postos de combustíveis, no mesmo período, o aumento foi de 2,32%. O preço do litro da gasolina saiu de R$ 4,509 para R$ 4,614. A ANP consultou 1763 estabelecimentos.

Já no caso do etanol, a variação nas refinarias foi de 7,85% entre fevereiro e março. O litro passou de R$ 2,558 para R$ 2,759. Nos postos, o aumento foi de 6,31% entre os dois meses, uma vez que o preço do litro do combustível saiu de R$ 2,929 para R$ 3,114.