Moeda americana retraiu a R$ 3,6822 na venda, menor patamar desde 25 de maio deste ano - Marcelo Casal Jr/Abr

São Paulo – O dólar recuou pela terceira sessão consecutiva e terminou ontem no menor patamar em quase cinco meses, na casa de R$ 3,68, com fluxo de recursos influenciando a continuidade da trajetória dos dois últimos pregões, tendo como pano de fundo o otimismo com o desfecho doméstico eleitoral.

O dólar recuou 1,02%, a R$ 3,6822 na venda, menor patamar desde os R$ 3,6683 de 25 de maio. Em três sessões, acumulou perda de 2,56%. Na mínima, a moeda marcou R$ 3,6652. O dólar futuro recuava cerca de 1,20%.

“Tivemos zeragem de algumas posições compradas (que apostam na alta do dólar) e o fluxo puxou a moeda para baixo”, comentou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

O mercado doméstico, assim, passou a maior parte do dia na contramão do exterior, com os investidores ainda precificando o otimismo com o desfecho eleitoral no final do mês com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente.

“Acredito que a vitória de Bolsonaro já está no preço e que o piso está entre R$ 3,65-R$ 3,70. Não vejo fundamento hoje para o câmbio em R$ 3,60-R$ 3,55”, emendou Fernanda, ao acrescentar que uma queda adicional depende de novidades positivas do novo governo.
Para o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a moeda pode ir para os R$ 3,50 “se ficar clara a aprovação de reformas”.

O otimismo recente do mercado decorreu das pesquisas eleitorais que mostram Bolsonaro com ampla dianteira ante Fernando Haddad (PT). Mesmo após declarações recentes não tão liberais quanto as ideias defendidas por seu assessor econômico Paulo Guedes, o mercado ainda prefere Bolsonaro, por considerar que o possível futuro ministro da área econômica conseguirá tirar do papel as esperadas reformas.

Fed – O mercado externo, na sessão de ontem, trouxe influência de alta para o dólar, mas ela não se sustentou. A moeda norte-americana subia ante a cesta de moedas e também ante algumas divisas de países emergentes, como o peso chileno, embora tivesse mostrado mais força ante elas no início do dia.

Os investidores aguardavam a ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve (Fed), mas ela não chegou a influenciar o mercado por aqui. O documento mostrou que todos os membros votantes da instituição apoiaram o aumento da taxa de juros no mês passado e que também concordaram que os custos de empréstimos devem subir mais.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente na sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Dessa forma, rolou US$ 4,62 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Bolsa de Valores – O Ibovespa fechou praticamente estável ontem, no fim de uma sessão volátil, acompanhando o mercado movimentos no exterior, com ações da Eletrobras na ponta negativa, enquanto a alta da Vale atenuou a pressão.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa teve variação positiva de 0,05%, a 85.763,95 pontos, após oscilar da mínima de 84.944,05 pontos à 86.167,32 pontos. O giro financeiro somou R$ 14,5 bilhões.

Em Wall Street, S&P 500 e Dow Jones também alternaram alta e baixa, fechando com pequenas perdas, com resultados corporativos e a ata da última decisão de juros do Federal Reserve no radar. (Reuters)