Nos últimos três pregões consecutivos, a moeda norte-americana acumulou perdas de 2,29% - Fernanda Carvalho/Fotos Públicas

São Paulo – O dólar interrompeu uma sequência de três quedas e terminou ontem com a primeira alta ante o real nesta semana, em um movimento de correção parcial à forte queda recente, influenciado pelo cenário externo de maior aversão ao risco.

O dólar avançou 1,16%, a R$ 3,7250 na venda, na terceira alta registrada desde o primeiro turno das eleições no dia 7 de outubro. Na quarta-feira (17), a moeda norte-americana fechou no menor valor em quase cinco meses, a R$ 3,6822. Na mínima da sessão de ontem, a moeda foi a R$ 3,6734 e, na máxima, a R$ 3,7325. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,90%.

“A tendência (da cotação do dólar) segue sendo de baixa, com a eleição como catalisador. Naturalmente sempre fica algum hedge montado para qualquer efeito surpresa”, ponderou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Na véspera, fluxo de recursos ajudou o dólar a furar o piso de R$ 3,70, mas operadores avaliaram que transpor R$ 3,65, considerado outro suporte forte, será um pouco mais difícil.
A percepção é de que um patamar mais baixo para o dólar daqui para a frente será alcançado com o andamento de uma agenda reformista no governo.

Eleições – Para o mercado, o candidato a presidente com mais chances de implementar essa agenda seria Jair Bolsonaro (PSL), devido principalmente à sua escolha de Paulo Guedes como principal assessor econômico.

“Por mais que a vantagem de Bolsonaro siga confortável, investidores devem ajustar portfólios a cada novo estudo. Mas, na prática, os movimentos já começam a refletir expectativas com políticas futuras do iminente governo do PSL, com foco nos temas privatização e ajuste fiscal”, acrescentou Alessie Machado.

No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas e ante a maioria das divisas emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente na sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Dessa forma, rolou US$ 5,005 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro. (Reuters)