São Paulo – O dólar terminou em baixa ontem, pelo terceiro pregão consecutivo, abaixo de R$ 4,10, em um movimento de ajuste ao cenário político após o atentado sofrido, na quinta-feira (6), pelo candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que levou os investidores a avaliarem que a esquerda perderia fôlego nas eleições.

O dólar recuou 0,26%, a R$ 4,0935 na venda, acumulando, nas três sessões seguidas de baixa, 1,44%. Na mínima, a moeda marcou R$ 4,0520, na abertura, e na máxima, R$ 4,1283. O dólar futuro subia cerca de 0,80%.

“O atentado alimentou animador desempenho dos ativos locais, tendo como leitura majoritária o potencial fortalecimento de candidatos de centro-direita/direita (especialmente o próprio Bolsonaro) nas eleições do próximo dia 7 de outubro”, explicou a H.Commcor Corretora em relatório, chamando atenção para pesquisa encomendada pelo BTG e divulgada ontem.

Pelo levantamento, Bolsonaro ampliou a liderança após o atentado, com 30% das intenções de voto, de 26% na semana passada. Após levar uma facada na quinta-feira, o candidato, que permanece internado em São Paulo, disse, no Twitter, que logo estará 100% e que não dará o “gosto” de ficar fora do pleito para aqueles que desejam isso.

“Em síntese, e tendo como base essa pesquisa, Bolsonaro segue ganhando terreno, o que pode ter sido potencializado pelo atentado ou não (pode ter sido coincidência), mas, de todo modo, tende a embasar o bom humor no mercado”, completou a H.Commcor Corretora.

Boletim médico divulgado ontem pelo hospital Albert Einstein informou que Bolsonaro segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ainda está em estado grave. Este foi o primeiro boletim médico a apontar o estado de saúde de Bolsonaro como “grave”, em uma mudança de tom com relação ao boletim da manhã de domingo, que falava em “nítida melhora clínica e laboratorial”.

Embora o atentado tenha dado maior visibilidade a Bolsonaro e possa impulsionar sua candidatura, analistas e economistas avaliam que o quadro ainda segue bastante incerto, o que justifica a cautela dos agentes.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 2,725 bilhões do total de US$ 9,801 bilhões que vence em outubro.

B3 – O Ibovespa fechou praticamente estável ontem, com investidores preferindo evitar montar posições expressivas antes de pesquisas eleitorais previstas para os próximos dias, dado o quadro ainda incerto sobre a disputa presidencial no País.
O principal índice de ações da B3 encerrou com variação positiva de 0,03%, a 76.436,35 pontos. O volume financeiro do pregão somou R$ 8,55 bilhões.
No começo da sessão, o Ibovespa subiu mais de 1%, com ajustes ao movimento de American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações negociados nos Estados Unidos) brasileiros na sexta-feira (7), quando a B3 não abriu em razão de feriado nacional. (Reuters)