São Paulo – O dólar teve mais uma sessão de forte queda e terminou em R$ 3,71 ontem, com os investidores ainda ecoando os resultados do primeiro turno das eleições, no domingo (7), que deram força às apostas de um presidente mais comprometido com as reformas.

O dólar recuou 1,47%, a R$ 3,7107 na venda, menor valor desde os R$ 3,7071 de 3 de agosto. Foi a sexta queda em sete sessões neste mês, acumulando em outubro baixa de 8,09%. Na mínima da sessão, a moeda foi a R$ 3,7017. O dólar futuro caía 1,77%.

“O otimismo doméstico está se sobrepondo ao exterior. É muito recente o resultado de domingo”, disse o operador da H.Commcor Corretora Cleber Alessie Machado, acrescentando que o fato de o dólar ter fechado longe das mínimas na segunda-feira (8) favoreceu o movimento na sessão de ontem.

A preferência do mercado financeiro por Bolsonaro é apoiada no seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes, e a expectativa é de que eles imponham uma agenda de reformas, entre elas a da Previdência, corte de gastos e ajuste fiscal.

“Embora Bolsonaro tenha uma realidade que o coloca muito próximo de ser o vitorioso no próximo dia 28, o mercado deve reagir a quaisquer sinalizações de um segundo turno ‘dividido’, o que acaba por alimentar expectativas com o Datafolha de amanhã (hoje)”, acrescentou Alessie Machado, citando a primeira pesquisa de intenção de voto após o primeiro turno.

Em entrevista a uma rádio ontem, Bolsonaro voltou a reafirmar que acredita na democracia e criticou seu adversário, que, em sua opinião, seria tutelado em um eventual governo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Também falando a uma rádio, Haddad disse que o Ministério da Fazenda, em um eventual governo seu, será comandado por um nome ligado à produção e com perfil diferente do economista Paulo Guedes, que chancela a área econômica de Bolsonaro.

Exterior – Fora do País, o dólar, que subiu parte da sessão ante a cesta de moedas, perdeu força e registrava pequena baixa no fim do dia. Também aliviou a pressão ante as divisas de países emergentes, favorecendo ainda mais o recuo ante o real.

As preocupações com o orçamento italiano e o corte das previsões de crescimento global feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), inclusive para o Brasil, em 2018 e 2019, influenciaram ontem o humor dos agentes no exterior.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente na sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais. Dessa forma, rolou US$ 2,695 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro.

B3 – O Ibovespa fechou estável ontem, em sessão marcada por ajustes, com agentes financeiros adotando posições mais comedidas após a euforia na segunda-feira, enquanto aguardam novidades sobre a disputa eleitoral no País.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou a 86.087,55 pontos, após oscilar da mínima de 85.432,70 pontos à máxima de 86.573,49 pontos. O giro financeiro foi ainda acima da média do ano, alcançando R$ 17,66 bilhões. (Reuters)