Entre os critérios de seleção estão a inovação e o ineditismo do projeto - Divulgação

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) prepara um edital para captação de projetos na área de eficiência. Com lançamento previsto para janeiro de 2019, o edital prevê o investimento de R$ 5 milhões em soluções inovadoras por meio do Programa de Eficiência Energética, que é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Ainda não há definição de quantos projetos serão selecionados e nem qual será o investimento máximo por iniciativa, mas a empresa está aberta a sugestões para a construção dos requisitos do edital. O aporte fará parte de um total de R$ 100 milhões previstos para os projetos de eficiência energética no ano que vem.

Diversos empreendedores, estudantes e interessados no assunto se reuniram no dia 29 de novembro para discutir o edital, na sede da Cemig, na região Centro-Sul da Capital.

Durante o evento, o Gerente de Eficiência Energética da Cemig, Ronaldo Lucas Queiroz, explicou que o foco do edital não é em pesquisas, mas em produtos ou metodologias que já tenham um protótipo e possam ser testados. “Não temos a pretensão de que a Cemig vai inovar de dentro pra fora. Nossas portas estão abertas para as contribuições. Queremos captar ideias transformadoras que estabeleçam novos paradigmas em eficiência energética”, disse.

O edital ainda está sendo elaborado por uma equipe da Cemig, que está aberta a contribuições. O próprio workshop realizado teve o objetivo de compartilhar as intenções desse investimento e colher feedback dos empreendedores e estudantes interessados. Segundo Queiroz, a expectativa é de que o edital seja lançado em janeiro do ano que vem. “Acredito que se recebermos 10 projetos já será muito positivo. É importante, entretanto, que os candidatos saibam que as propostas serão analisadas tanto pela Cemig quanto pela Aneel”, esclareceu.

Entre os critérios de seleção estão a inovação e o ineditismo do projeto, a viabilidade econômica, a aplicabilidade de tecnologia e o impacto social. De acordo com o gerente, a Cemig já investe em diversos outros projetos de eficiência energética. Só este ano, o aporte nessa área foi superior a R$ 60 milhões. A novidade do edital que será lançado no ano que vem é o foco em captação de soluções disruptivas. Ele faz parte de um montante de R$ 100 milhões previstos para investimento em eficiência energética em 2019.

Indústria 4.0 – O workshop para discussão do edital também contou com a presença do gerente de educação para a indústria da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Ricardo Aloysio e Silva. O executivo falou sobre o conceito da Indústria 4.0 e como ele está diretamente ligado às inovações no sistema de energia. Ele citou a Internet das Coisas (IoT) como um dos pilares dessa revolução e lembrou que, assim como toda tecnologia, ela pode ser usada para o bem ou mal.

“Se falamos de um sistema que liga o ar-condicionado antes mesmo do dono da casa chegar sem nenhuma preocupação com a energia, estamos falando de maior consumo. Mas se esse mesmo sistema controla a abertura da janela ou das cortinas para diminuir o consumo de luz, então está alinhado com a questão da eficiência energética”, exemplificou.

Silva também destacou que, diferente de outras revoluções, que exigiram uma transformação completa das estruturas e substituição de equipamentos, a revolução da indústria 4.0 não exige grandes substituições de patrimônio. “É possível embarcar toda a inovação da indústria 4.0 na indústria tradicional. Até porque não estamos falando de uma revolução de hardware, mas de software, de TI. Estamos falando de inclusão de tecnologias como IoT, Big Data e Machine Learning”, disse.

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Eduardo Moreira da Costa também participou do workshop e falou sobre uma nova era de cidades que são, ao mesmo tempo, inteligentes e humanas. Segundo o professor, a “cidade-x” será aquela em que moradia, lazer e trabalho estão na mesma região. Além disso, é uma cidade em que os desejos, os interesses e as necessidades dos cidadãos são consideradas.

“As pessoas precisam entender que o problema da cidade não é o carro, mas é a utilização do carro diariamente para todo tipo de deslocamento. A solução passa por melhoria do transporte público e punição para o bolso de quem privilegia o transporte particular. Nesse contexto, a mobilidade elétrica – que inclui não só o carro, mas outros meios de transporte – é uma oportunidade imensa”, frisou.