Na terra da fantasia começou a dita propaganda eleitoral gratuita, que tem como veículos televisão e rádio. Mais do mesmo. Os candidatos que se apresentam têm pouco a dizer sobre seus projetos, muito menos apresentam soluções objetivas, factíveis, para problemas que alguns deles definem como da maior gravidade. O tempo de cada um, distribuído de maneira esdrúxula considerada a funcionalidade de democratizar o acesso dos candidatos aos eleitores, é utilizado, como regra, para ataques entre uns e outros, não raro recheados de distorções e até deslavadas mentiras. Não será por acaso que pesquisas acusam que quando a propaganda começa a maioria dos televisores é desligada e a audiência costumar virar traço.

No mundo real, embora a violência esteja banalizada e incorporada ao cotidiano, vale o registro de mais uma ocorrência violenta, no Rio de Janeiro, durante o ataque a um ônibus. Uma das vítimas, jovem de apenas 23 anos, morador no subúrbio, foi levar a filha de três anos à Barra da Tijuca para conhecer o mar. No regresso, o ataque, e para proteger esposa e filha utilizou o próprio corpo, perdendo a vida para salvar as duas. Mais um relato para as páginas policiais, mais uma estatística para contradizer autoridades cariocas que no mesmo dia anunciavam que a violência diminuiu na cidade.

A morte de Ademir, no Rio de Janeiro, mais uma entre milhares, é também um contraste violento com o que dizem e fazem os políticos, onde as exceções são a cada dia que passa mais reduzidas. Na campanha, é evidente, a insegurança pública aparece com destaque, mas simplesmente porque as pesquisas que colocam o tema como uma das grandes preocupações dos brasileiros na atualidade, funciona como bula para os candidatos. Só isso e nenhum sinal de discussões mais sérias, de propostas que mereçam atenção e respeito. O pior é que este vazio se repete independentemente do tema e sua importância.

Fica visível, para quem acompanha, que desconstruir o rival, com verdades ou com mentiras, é o que realmente interessa, é a tática dos que têm pouco a dizer e menos ainda a apresentar. Certo é que desse caldo sairão o próximo presidente da República e os próximos governadores, chamados a administrar um país altamente endividado, pagando juros que são de longe a maior de suas despesas, carregando um déficit público que não poderá ser suportado por muito tempo e, para completar, com a economia bem próxima da estagnação.

Repetindo o economista mineiro Fernando Roquete Reis, o prognóstico parece ser ainda pior que o diagnóstico.