A Petrobras apresentou esta semana seus resultados financeiros no terceiro trimestre do ano acusando lucro líquido de R$ 6,64 bilhões, ou 25 vezes mais que no terceiro trimestre do ano passado. O faturamento somou R$ 98,26 bilhões, com incremento de 16% na comparação com o trimestre anterior. Depois de completar nove meses seguidos com resultados positivos, o presidente da estatal, Ivan Monteiro, declarou, em comunicado distribuído à imprensa, que “arrumamos a casa”. Para analistas do mercado, este desempenho indica que retomou patamares anteriores à crise detonada pelos escândalos de corrupção envolvendo administrações anteriores.

Parece indicar também que houve à época exagero nas avaliações que davam a empresa como próxima de um desastre terminal por conta do saque a seus cofres, além de uma sucessão de investimentos desastrados e má gestão. Um diagnóstico que também recomendava, enfaticamente, a venda da estatal ou, mesmo, sua liquidação. Da mesma forma perde sentido, em tese, a verdadeira liquidação de ativos promovida pela estatal, assim como as concessões feitas no tocante à exploração de parte de suas reservas de petróleo, que com a contribuição do pré-sal se contam entre as maiores do planeta.

Outro ponto a observar diante dos resultados apresentados diz respeito à política de preços praticada pela Petrobras, baseada nas cotações internacionais do petróleo, com reajustes automáticos e quase diários, gerando ganhos muito acima do que seria de se esperar. Agora fica mais fácil compreender como e porque investidores como o norte- americano George Soros compravam ações da empresa quando ela era apontada como à beira do precipício e dada como inviável por muitos que hoje se calam ou festejam os lucros acumulados na Bolsa de Nova York, destino de boa parte dos dividendos que estarão sendo recolhidos.

O fato é que a Petrobras está demonstrando a sua vitalidade e retomando, muito mais rapidamente do que sugeriam as críticas de que foi alvo, à condição de uma das maiores e mais eficientes petrolíferas do mundo e, internamente, alcançando patamares de lucratividade que superam os dois maiores bancos privados locais e só perde para a Vale, que prossegue exibindo sua condição de maior produtora de minério de ferro no mundo.

Sem espaço para dúvidas, há muito o que comemorar e muito a refletir sobre a importância e a condição estratégica desta empresa, como um dos pontos de sustentação da economia interna, justamente por sua capacidade de assegurar, sem interferências ou dependência externa, o suprimento autossuficiente de fonte de energia crucial e matérias-primas sem as quais a indústria não se move.