De acordo com as mais recentes avaliações do Banco Central, construídas com base em consultas a agentes do sistema financeiro, a economia brasileira poderá crescer este ano até 2,4%, medida pelo Produto Interno Bruto. Pouco menos que a medição anterior, mas de qualquer forma confirmação de uma reação que acontecerá ou não, dependendo do andamento da efetiva consolidação do ajuste fiscal e de mudanças na esfera tributária, pelo menos para simplificação do sistema e redução de seus custos indiretos. Se acontecer, e devemos todos torcer para que aconteça antes de mais nada como vitória do País, passarão a existir elementos mais robustos para que se acredite que a economia nacional ingresse numa fase de recuperação mais robusta. Essa condição tão desejada precisa ser vista desde já numa outra perspectiva, a das restrições geradas pelo aumento da demanda, por exemplo, na oferta de energia ou na esfera da logística.

Quanto a este segundo ponto, cabe lembrar estudos da Fundação Dom Cabral que trazem a lume uma realidade inquietante. Para começar, o valor de todo o sistema brasileiro de transportes corresponde a 12% do PIB, contra 22% em 2002, melhor evidência de que estamos claramente num processo de involução e de distribuição de ativos. No Japão a proporção é de 65% e nos Estados Unidos chega aos 50%. Os mesmos estudos nos apontam que as rodovias respondem por 52,7% da movimentação de cargas no País, ficando o modal ferroviário com 27,2% e as hidrovias e a navegação de cabotagem com os restantes 16,9%. Um absoluto paradoxo, tendo em conta que os custos nesse ultimo modal são os mais favoráveis. Tudo isso pesa no tal custo Brasil, do qual hoje em dia pouco se fala, embora deva estar viva na memória de todos o impacto da greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado.

Com o País voltando a crescer, o que nos é absolutamente fundamental, problemas que estão relativamente adormecidos voltarão a expor nossas fragilidades. Afinal não custa lembrar também, e apontando para outra questão crítica, que o País só não enfrentou um novo e grande apagão porque enfrentou dois anos de recessão e a recuperação segue lenta. Será prudente, portanto, considerar a questão da tão esperada recuperação por este ângulo, começando a pensar a sério o que se pode fazer. Por exemplo, considerada a limitada capacidade de investimento público, cuidar de dar força e agilidade às parcerias com o setor privado, com atenção nos portos e nas possibilidades de incremento da navegação costeira, que pode ser incrementada com menos tempo e melhores custos, além de ajudar a desafogar as rodovias nos grandes percursos.

Para concluir, é só lembrar que temos muito o que fazer e alternativas adequadas. O que parece continuar faltando é vontade política e, no contexto imaginado, tempo.