A indústria automotiva global passou por grandes transformações nos últimos anos e as mudanças ocorridas apenas apontam na direção de outras, ainda maiores. Foram, de início, mudanças nos processos construtivos, buscando construir veículos mais leves, resistentes e econômicos, pontos em que os avanços foram sensíveis, melhorando por exemplo o rendimento dos arcaicos motores a explosão. Veio em seguida a revolução da eletrônica, primeiro incorporando eficiência e rendimento, em seguida níveis de automação que, tecnicamente pelo menos, já viabilizarão a produção e circulação de veículos autônomos. A próxima onda, já em andamento, muda radicalmente os sistemas de propulsão, passando por veículos híbridos e elétricos, já ofertados em escala ainda pequena, possivelmente para chegar às células de combustível e ao hidrogênio.

Em dez ou vinte anos, no máximo, tudo será diferente, havendo inclusive quem acredite que mudará o próprio conceito de propriedade de veículos, que passariam a ser compartilhados. Certo é que já existem pesquisas indicando que a compra de um automóvel deixou de ser o sonho de consumo das novas gerações, ao contrário do que acontecia em passado ainda recente. Tudo isso significa grandes mudanças e quebras de paradigmas na indústria, o que também já estaria começando a acontecer.

Sinais? O fechamento de fábricas antigas, na América do Norte e na Europa, assim como o anúncio de montadoras tradicionais, como General Motors e Ford, de alterarem radicalmente suas posições no Brasil. Talvez uma chantagem, uma forma de obterem novos favores e vantagens, porém provavelmente no contexto do futuro que estão enxergando.

Desse futuro, e das oportunidades implícitas, nos fala também o governador Zena ao anunciar a criação de uma força-tarefa para monitorar os estímulos ao setor, em resposta a uma decisão do governo de São Paulo a este respeito. Minas ainda é o segundo polo automotivo do País, mas está perdendo sua posição relativa, assim como perdeu, na virada do século e nos anos seguintes, investimentos que deveriam consolidar o polo local, dando-lhe escala, e acabaram espalhados pelo País. Um erro estratégico, em termos de eficiência, em parte compensados pelos generosos incentivos fiscais. Agora é preciso estar atento às mudanças que virão e fatalmente serão grandes.

O Brasil – e Minas Gerais particularmente – precisa saber encontrar seu espaço nesse novo mundo que está surgindo, ganhando em volume de produção, em inovação e em capacidade de competição global. Para a indústria automotiva, com certeza, será a próxima onda.