Créditos: ALISSON J. SILVA

Os níveis de segurança de trânsito no Brasil, tanto urbano quanto rodoviário, ainda figuram entre os mais baixos do planeta, apesar de avanços registrados nos últimos dois ou três anos, com redução, principalmente, no número de fatalidades. Números que, neste primeiro semestre, voltaram a piorar.

De qualquer forma, e independentemente do sofrimento humano, a situação continua comparável a baixas verificadas em regiões sob conflito armado, sendo também alarmantes os casos de incapacitação, gerando gastos elevados para o sistema público de saúde e prejuízos para a economia em geral.

São vários os fatores que explicam esta situação, começando pela formação e conscientização dos condutores, estatisticamente principais responsáveis pelos acidentes, além das condições e traçado das vias de circulação, que não foram adequadas à evolução dos veículos e não têm manutenção sistemática.

A melhoria apontada, relevante num primeiro momento, foi geralmente associada a programas de conscientização e educação, a alguma melhoria nos sistemas de fiscalização, principalmente quanto ao uso de bebidas e entorpecentes, bem como ao controle mais efetivo da circulação em velocidades acima do permitido.

Embora não existem dados precisos a respeito, seria inadequado não apontar que os veículos também evoluíram no quesito segurança, passando a incorporar novas tecnologias que em última análise representam mais segurança para motoristas, passageiros e pedestres. São avanços ainda não plenamente suficientes, mas que mesmo assim precisam ser levados em conta, uma vez que indicam o caminho a percorrer.

Por tudo isso espanta, e diante dos dados disponíveis, que a atual administração federal pretenda caminhar na direção contrária, anunciada sua intenção de promover mudanças que claramente corresponderão a um grande retrocesso e, pior, a riscos maiores.

Estamos falando de iniciativas como a de desativar os radares que controlam a velocidade nas rodovias, de eliminar controles mais rigorosos das condições de saúde dos motoristas profissionais, de aumentar a pontuação que pode levar à cassação de habilitações e até de dilatar seu prazo de renovação, que poderia dobrar, colocando em risco os exames médicos das mesmas.

Tudo isso poderá parecer, para os desavisados, simplificação e desburocratização quando na realidade será precarização, risco maior para os usuários e gastos expandidos na previdência social e na saúde pública.

Talvez até coubesse discutir o assunto, fossem outras as condições do País no momento. Diante das circunstâncias, dos problemas políticos e das dificuldades na esfera econômica, chega a espantar que estes temas estejam na pauta, e com destaque, do próprio presidente da República.