Faltando pouco mais de uma semana para a votação em segundo turno, quando estará sendo decidido o nome do próximo presidente da República e, em alguns estados, como Minas Gerais, escolhidos os futuros governadores, as campanhas prosseguem sem mudanças substanciais. Mais objetivamente, além de alguns ajustes ditados pelo marketing da conveniência, continua faltando substância, discussões mais sérias, debates verdadeiros e, sobretudo, propostas que tenham lastro. Na realidade, o que persiste é a troca de acusações, como se dessa forma fosse possível escapar até da própria apresentação.

Pior, como se os candidatos verdadeiramente não se dessem conta do tamanho dos problemas que estão por ser enfrentados e, consequentemente, das dificuldades que os aguardam a partir do dia 2 de janeiro de 2019, demandando austeridade, disciplina e a formulação de estratégias das quais a rigor ninguém tem conhecimento preciso até agora. No plano federal, por exemplo, é preciso conter o déficit público, reduzindo drasticamente despesas de custeio, além dos gastos com um sistema previdenciário que não há como ser sustentado e, mantido como está, anula qualquer possibilidade de reequilíbrio. Uma tarefa que, pelo menos em parte, já deveria ter sido cumprida e os dois candidatos que chegaram ao segundo turno acreditam que deva ser melhor discutida.

Pode até ser que sim, na medida em que as propostas em discussão não contêm as respostas necessárias diante da gravidade da situação e do desequilíbrio entre os setores público e privado, porém com um senso de urgência que não parece estar sendo cogitado. E estamos falando do ponto de partida, do pré-requisito, para retomada da confiança que move investimentos e as rodas da economia que, prosseguindo num ritmo de letargia, impede a geração de empregos, enquanto os indicadores que mais interessam continuam sendo revisados para menor.

Assim, e como disse recentemente conhecido empresário mineiro, estamos hoje mergulhados em um círculo vicioso em que a perda de renda abate o mercado interno, gerando mais fechamento de empresas e mais desesperança. A grande questão, para ele, é como reverter esta situação, passando para um círculo virtuoso de crescimento sustentável, sem provocar inflação e nem aumento do endividamento. Trata-se de passar da visão do ganho financeiro para a visão do ganho gerado pela produção, tendo em conta que a capacidade ociosa permite crescimento mais rápido e sem demandar investimentos, gerando riquezas que se realimentam e sem risco de inflação. Dito de outra forma, a saída pode estar mais perto do que se imagina.