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Wilson Brumer, cuja qualificação fica adequadamente definida quando é lembrada sua condição de ex-presidente de empresas como a antiga Vale do Rio Doce, Usiminas e Acesita, cargos ocupados sempre com reconhecimento, é agora presidente do Conselho Administrativo do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). E foi nessa condição que ele falou recentemente a um grupo de destacados empresários mineiros. E, quebrando o protocolo desses eventos, começou admitindo erros e assumindo culpas, pedindo que todos, de pé, fizessem um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos acidentes em Mariana e, mais recentemente, em Brumadinho. Depois da deferência, a objetividade, marcada com uma frase inspirada. “Minas Gerais precisa encontrar soluções para sua economia com as minas”. E não pelos caminhos tradicionais, antigos, muito menos a qualquer preço.

É preciso mudar, é preciso inovar e incorporar novas e mais modernas tecnologias, tendo em conta também que mineração não deve ser entendida exclusivamente como extração de minério de ferro. Há muito mais que fazer, começando por entender que as riquezas minerais do Estado, sequer são bem conhecidas e estão devidamente mapeadas. Em suma, dá para fazer mais e fazer melhor, inclusive com o cuidado essencial de melhorar também a comunicação, se aproximando da população, prestando contas de forma transparente. Mostrando o potencial do setor, sua importância para a economia regional – afinal somos Minas Gerais não por acaso – e sobretudo o que ainda pode ser feito com segurança, qualidade e resultados. Tudo isso sem contar que no ano passado 60% do saldo positivo da balança comercial do Estado, que chegou aos U$ 14,8 bilhões, veio do setor mineral.

Brumer lembrou também que o Estado é o primeiro exportador mundial de nióbio e o País ocupa a segunda posição na exportação de minério de ferro, terceiro de grafite e quarto de bauxita. Tudo isso, completou, ainda sem conhecer seu real potencial mineral para gerar riquezas e empregos. Como mais segurança, repetiu, mas também com mais pesquisas, em parceria com as universidades, mais tecnologia e melhores resultados. Em suma, nos ensina o acreditado executivo que o caminho não é a derrota, tampouco o recolhimento. Trata-se, em lugar disso, de reconhecer as potencialidades do Estado, também as possibilidades de agregar valor a este processo. Aprender com as dificuldades que estão sendo enfrentadas presentemente, com mais humildade e mais empatia com a população, recordando também como e porque se deu a ocupação do território e o nome da província, aceitando que nosso destino está ligado às minas e prontos para fazer mais e melhor. São lições para não esquecer.