Existe, no meio empresarial, uma expectativa positiva com relação à nova administração federal e sinais nesse sentido são percebidos faz algum tempo, indicando otimismo e retomada de investimentos. Estas impressões sem dúvida foram reforçadas depois do discurso de posse do novo ministro da Economia, o mineiro Paulo Guedes, principalmente quando ele anunciou que o Brasil deixará de ser o paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores, colocando na mesa das discussões um assunto até então deixado de lado ao defender a redução dos gastos com a dívida pública, que consome a maior parte da renda nacional e é de longe a maior despesa do Tesouro.

Guedes, cujas atribuições incluem também aquelas antes atribuídas aos ministérios do Planejamento, Indústria e Comércio e parte do Trabalho, foi claro e objetivo nas suas colocações. Começou por lembrar que o Estado brasileiro se corrompeu, ao longo das últimas quatro décadas, pelos gastos excessivos, daí originando um desequilíbrio que precisa ser corrigido, uma vez que a crise fiscal é o principal entrave à retomada da confiança e, portanto, do próprio crescimento econômico. Essa tarefa, segundo ele, começará pela reforma da Previdência, que, se bem-feita, recolocará o País na rota do crescimento sustentado.

Nesse contexto ele situa, além de privatizações, assunto em que se pode perceber divergência na equipe governamental, com uma ala que defende a presença do Estado em áreas estratégicas, como petróleo e geração de energia, e avança na direção do que chama de renovação do pacto federativo. A ideia, conforme comentado em outras ocasiões, seria quebrar o centralismo, equilibrando a distribuição da receita pública entre União e Estados, descentralizando também atribuições. Também explicou que mudanças de maior fôlego ficarão para o próximo mês, depois que se instale a nova Legislatura.

Enquanto isso, promete não perder tempo, trabalhando com medidas infraconstitucionais, que igualmente impliquem em redução de gastos, simplificação e desburocratização, num horizonte em que se prevê também a redução da carga tributária e o fim de todo e qualquer tipo de indexação. Nesse caminho, e dependendo da concretização do pacto, os gastos não seriam reajustados nem pela inflação.

Como foi dito no início desse comentário, as primeiras declarações do novo ministro foram bem recebidas, alimentando as esperanças de que, se efetivamente implementadas, poderão garantir ao País um crescimento, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), já neste ano, de pelo menos 3%. Somente esta expectativa basta para justificar os aplausos que Paulo Guedes recebeu ao final de seu discurso.